sexta-feira, 30 de maio de 2014

Ceder é difícil!*

Por Marcella Mota*

A distância entre a teoria e a prática, muitas vezes parece longa!

Há um discurso pronto afirmando que em uma relação é preciso ceder… que é necessário abrir mão, algumas vezes, do que você quer em função do outro.

Tudo funciona bem no texto, mas na execução a coisa muda.

Ceder nem sempre é fácil… e não estou me referindo apenas às questões mais difíceis, mas também às situações simples do cotidiano.

Você quer o último iogurte de morango e não quer ficar com o de ameixa… mas cede pois o outro também prefere o de morango.

O seu lado da cama é sagrado… chegar no quarto e encontrar o outro dormindo nele, é ceder com raiva.

Não importa se vocês combinaram, mas ceder o controle remoto, na maioria das vezes, é muito chato.

Ninguém é obrigado a gostar do amigo insuportável do outro… ceder e ter que ir almoçar com essa pessoa, é estragar um domingo que poderia ter sido muito bom.

Deixar de ir à um lugar que você queria para ir ver um filme que só interessa ao outro, é mais que ceder… é prova de resiliência!

Ceder é difícil… não é para os fracos!

Abrir mão de coisas que você gosta, quer e prefere para agradar alguém, nem sempre é tão romântico.

Mas você cede… sabe por quê?

Porque a alegria do outro é muito mais gratificante que qualquer iogurte, filme ou controle remoto.

Não é pelo amigo insuportável, é pelo fato de estar perto de quem você ama e sentir que está fazendo essa pessoa feliz, por esse simples gesto.

Somos seres individualistas na essência… o que nos faz ceder, nem sempre é o fato de sermos bonzinhos, mas é o amor… o desejo de ver feliz quem você ama.

Você não cede por ser compreensivo, altruísta ou coisa que o valha… cede por achar que não há nada mais interessante que ver o sorriso de quem ama ao realizar uma vontade dessa pessoa.

Ceder é complicado… e não venham me dizer que é simples. Somos donos das nossas vontades e queremos que elas sejam respeitadas sempre… temos o nosso lugar preferido no sofá, a xícara que é só nossa, as séries que assistimos, as músicas que ouvimos… misturar tudo isso com as vontades de outra pessoa, é prova de amor.

Mas não importa se é difícil… o importante não é saber ceder, é saber amar.

*O Blog Alguns Momentos publica, uma vez por mês – sempre na última semana –, um texto de um amigo do blog. Tem uma história para contar? Quer escrever também? Mande seu texto para blogalgunsmomentos@gmail.com

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Sorrindo

Olha, pequena. Eu nem sei como dizer, mas... tá vendo aqui meu sorriso? Então. É isso. Essa leveza, esse bem estar, essa vontade. Tudo tá relacionado. Comigo, meu momento, minha vida, a ordem das coisas, o caminho que elas tomam. E com você. Claro, você está 100% relacionada a tudo isso. Como não poderia?

É difícil falar e sorrir ao mesmo tempo. Mas é isso. Esse sorriso aqui. Ele é seu. Ele é meu pra você. Por você. E enquanto você estiver por aqui, ele também vai ficar. Então, aproveita. Fica o quanto puder que eu não me importo de ter cãibra na bochecha. Eu viro boneco de cera, com sorriso eterno se for pra você ficar.

Fica que ainda tem muita cerveja, muito vinho, muita soneca e preguiça. Tem chocolate, tem espirro. Ainda tem um monte de músicas e seriados. Também tem café na cama e almoço que vira jantar. Tem abraço, orgasmo e beijo, não necessariamente nessa ordem. Tem muito de mim e um tantão de você. Tem tudo isso e o que mais a gente quiser inventar.

Então, tá vendo esse sorriso? Transforma ele num beijo que o agora é nosso e o amanhã também vai ser.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Dedicatória

Esses dias tirei um livro da estante. Lembrei que tinha sido um presente seu. Abri temeroso em ler a dedicatória. Temi pelas palavras bonitas que você teria deixado ali e, principalmente, pelo efeito delas em mim. Nessa altura do campeonato confesso que não estou mais tão afim de surpresas sentimentais.

Mas, veja você, o livro não tinha dedicatória. Um dos meus preferidos. Um daqueles que valem a pena guardar pra sempre. Um daqueles que, tenho certeza, qualquer pessoa que me conheça minimamente vai ler e lembrar de mim. E você não foi capaz de escrever nada.

Confesso que, de início, fiquei feliz. Afinal, a ausência de palavras suas significava que aquele meu medo inicial era desnecessário. Mas depois percebi que isso mexeu comigo da mesma forma - talvez mais - que qualquer escrito com tua caligrafia poderia fazer.

E que loucura, né? A gente nunca sabe mesmo como vai reagir às coisas. E, sabe, eu fiquei foi com raiva. Por que você não escreveu nada? Por que não deixou uma lembrança? Por que não me fez sentir saudades com umas poucas palavras de carinho?

A raiva passou, mas eu quase coloquei o livro no correio, endereçado a você, cobrando um pouco mais de consideração pela minha saudade.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

GPS

Londres é fria. São Paulo é cinza. Roma é velha. Buenos Aires é sentimental. Lisboa é escura. O Rio de Janeiro é suado. Sidney é longe. Santiago é saudosa. Nova York é muito agitada. Curitiba é sem sal. Pirenópolis é mal estruturada. Vitória é chata. Dubai é extravagante. Belo Horizonte é claustrofóbica. Goiânia é bagunçada. Bangkok é perdida. Rio Verde é escondido. Governador Valadares é uma panela de pressão. La Paz é alta.

É só aqui na nossa Brasília que meu coração bate sem pressa, sem medo. Em condições normais de temperatura e pressão. Sem medo de se perder, sem medo de te encontrar. Bate sem saudade. Bate ritmado.

É aqui, entre as asas, debaixo das árvores que ele vive sem problemas. Entre a ponta do meu avião e o miolo do teu cruzeiro do sul, no céu. Seja azul ou estrelado. É aqui que ele se orienta com sul, sudoeste, noroeste e que a bússola aponta sempre pra você, o norte.

Meu destino é sempre você, ainda que encontre atalhos por aí. Ainda que pare para um pastel com caldo de cana na Rodoviária. Ainda que breque a cada sinal vermelho; a cada pardal de 60 km/h. A moça do GPS me diz: seu destino está próximo.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

O Sim

- Duda?
- Oi, Jana.
- Você pode sair um pouquinho agora?
- Claro. O que você quer fazer?
- Eu to aqui fora. Quero falar com você.
- Aqui fora? Como assim?
- Aqui Duda, do lado de fora da sua casa. Sai que eu preciso conversar com você.
- Aconteceu alguma coisa?
- Aconteceu, Duda! Vem aqui fora.
- Mas eu não fiz nada.
- Duda, vem!
- Tá to indo.
- Oi. Que foi? O que aconteceu?
- Duda, olha só. Eu tava conversando com a Luana. A real é que ela sempre foi afim de você e, sabe lá Deus por quê, ela me incentivou a ficar contigo. Fiquei gostei e to apaixonada. E ela ta chateada. Foi por isso que eu não aceitei seu pedido de namoro.
- Gente, como assim? A Luana afim de mim?
- Escuta, Duda. Escuta tudo.
- Eu fui lá agora conversar com ela sobre isso. E ela ta bem chateada. Eu não queria perder a amiga por conta de um cara. Mas eu to muito afim de você.  E agora eu não sei o que eu faço mais. Se continuo contigo e perco a Luana. Se mantenho minha amizade com a Luana e perco você. Se não faço nada e acabo perdendo os dois. Por que as coisas têm que ser tão difíceis? Alguém me explica?
- Calma, Jana. Calma. Vem aqui, calma. Não chora.
- Eu não sei mais o que fazer. Todo mundo quer alguma coisa de mim. Mas nada é o que eu quero!
- E o que você quer, Jana?
- Você como meu namorado. A Lu como minha amiga.
- A primeira parte você tem. Desde o primeiro dia em que te beijei.
- Sério?
- Você acha que te pedi em namoro por nada?
- Não sei. Não sei de mais nada.
- Bom. Eu só sei que você quer duas coisas. E uma delas está resolvida.
- Como assim resolvida?
- Você não quer namorar comigo? Eu também quero. Então, pronto. Estamos namorando.
- Você ta falando sério?
- Muito.
(beijo)

Este texto faz parte da primeira tentativa deste blog de criar uma história longa e não apenas um conto. Acompanhe a continuidade dele pelo marcador #desenvolvimento