segunda-feira, 26 de maio de 2008

O 1% que mantêm um par equilibrado

É difícil falar de ensinamentos. Sobretudo sendo jovem. O melhor é usar os ensinamentos de outros, mais experientes, e passá-los pra frente. Assim a humanidade pode caminhar melhor. Com bons exemplos. Aqui, agora, pretendo passar um ensinamento pra frente. Coisa de amor.

Outro dia ouvi falar de uma célebre e interessantíssima frase de um tio de consideração muito querido por mim e por minha família. Ele travou um animado e breve diálogo com um de nossos amigos, durante uma festa e sua casa. Foi assim:

- Você gosta dela - perguntou ele ao rapaz, sentado ao lado da namorada.
- Gosto, tio.
- Mas você gosta muito dela? - insistiu.
- Gosto. Gosto muito - afirmou o jovem, curioso com a pergunta.

A resposta que se seguiu é um ensinamento que só pode passar quem está há três décadas casado como se fosse há três dias.

- Pois, meu filho, não goste cem por cento não. Goste noventa e nove por cento. Mas cem por cento, não.

Gargalhada geral, claro. A frase é de fato engraçada. Mas muito proveitosa para uma reflexão.

Se fosse eu o autor dela, não teria peso algum. Mas um homem com a experiência, equilíbrio e respeito dele autentica um novo sentido. Um exemplo de vida.

Passei semanas pensando nessa frase. Comentei com amigos para ver se a impressão que eles têm ao escutá-la é a mesma da minha. Percebi que sim. Mas a tese sobre ela ganhou novas impressões, portanto.

Quando ouvi o comentário pensei logo que esse 1% que falta para completar o amor incondicional é o amor próprio. E aquilo que reservamos para nós, que nos mantém equilibrados.

2 - Numa visão menos experiente de uma relação, acho que esse 1% é a saudável insegurança que um relacionamento merece para manter duas pessoas conectadas. É como se esse ponto percentual fosse a descoberta que ainda falta, que incita curiosidade e move a engrenagem de um namoro ou casamento por muitos anos.

Ou seja, esse um ponto é o equilíbrio. Há quem goste de ser muito amado. Mas ser amado incondicionalmente não tem graça. Precisamos, no mínimo, de momentos de insegurança. Sentir, as vezes, que nada é o que parece.

Mas só quem já tem muitos anos de estrada consegue amar plenamente e deixar o 1% agir sem ser percebido, sem causar transtorno. Nós, jovens, quando nos relacionamos, proporcionamos insegurança demais ou insegurança de menos. Portanto, erramos na dose.

Isto é: amar 99% é pra poucos. Poucos e raros como meu querido tio. Aliás, não perguntei a ele, o dono da reflexão, qual o real significado dela. Talvez um dia pergunte. E ai vou contar pra vocês...

7 comentários:

  1. Ahh muleke!!
    Bom demais. Demorou, mas veio de com força!
    Parabéns!

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  2. Rs... acho que amor incondicional que valha é só o de mãe... rsrsr

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  3. Concordo! A insegurança, na dose certa, equilibra a relação de um casal. Mas também, quando ela é excessiva, dá um friozinho na barriga... aí não é bom. Nós, menos experientes, sempre derrapamos nisso. Vamos treinando, então.

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  4. Uaaau!!! Tanto tempo né?
    Gostei demais, das suas considerações.
    Prazer em ler.
    abraços

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  5. Muito bom.
    Li não sei onde que o amor possui dois alicerces fundamentais: muita admiração e um pouquinho de insegurança.
    beijos

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  6. Muito bom!
    É exatamente isso...
    99%!

    Adorei amore!
    Beijos

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  7. Gostei das duas reflexões... acho que vou procurar amar 98%, vou deixar um pra insegurança e outro pro amor próprio. Mas espero a explicação do seu tio. Aí veremos se vou amar 97%...

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