segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

Dois traidores

Tudo estava normal. Amigos se encontravam num bar, bebiam feito loucos e, procurando dispensar qualquer limite, procuravam a casa de alguém para estender a noite. Dito e certo. Depois das 3h, foram para a casa do Márcio, agradável homem de fora que fazia animados encontros no seu pequeno apartamento. Todos gostavam, afinal, a casa era nossa!

Cervejas na mão, violão também, a farra continuava. Naquela noite as mulheres e homens eram todos conhecidos e, naturalmente, afeitos ao “se rolar rolou”. Fiquei sentado, tranqüilo, tomando uma latinha e conversando com amigos do trabalho. Patrícia, uma amiga feia, mas sensual, era a mais prejudicada por algumas doses de cachaça e outros muitos goles de cerveja. Dançava, rebolava e cantava, excitando os colegas.

Foi naquele encontro que percebi definitivamente que uma postura minimamente sem vergonha pode denunciar os extintos mais traidores de uma mulher. Patrícia, a feia sensual, sentou no colo do Márcio. Eles eram mais amigos que todos nós lá. Fora Paty que apresentara a namorada de Márcio, pessoa a quem ele parecia gostar muito e que não estava lá nessa noite. Paty e a namorada eram melhores amigas... de infância!

O fato, no mínimo estranho, ocorreu quando ela, ainda sentada nas pernas do dono da casa, agarrou sua mão discretamente, a apertou e rebolou em seu colo. Fez uma vez, e mais uma e mais uma... e várias vezes! Talvez ela pensasse que ninguém estivesse de olho naquele amasso no meio da sala. Mas os dois não viram que vimos.

Tempos mais tarde percebi que ambos sumiam e apareciam minutos depois. Entravam no quarto, na cozinha, no banheiro. Paty e o namorado de sua melhor amiga, cúmplices de um crime repleto de imperfeições. Num desses sumiços, resolvi investigar e entrei no quarto de sopetão. Num leve abrir da porta, escutei um leve gemido. Resolvi escancará-la rapidamente, para que não acreditassem que eu estava ali espiando. Abri a porta com força e fiz com que pensassem que tudo fora um acidente. Tudo mesmo.

E foi o que aconteceu. Com um olhar, dei-lhes segurança para que pensassem que os beijos que Márcio dava nos fartos seios da feia sensual eram frutos de um desastre. Dei-lhes firmeza para acreditarem que as calças baixas do rapaz que tanto parecia gostar da namorada era o típico imprevisto de uma noite regada a bebidas variadas. Também fui fiador da mão de Paty, que apertava forte o pênis de Márcio, parecendo querer-lhe dentro dela urgentemente.

A cena chocou-me, mas com leveza. Quando fechei a porta, devolvi-lhes a confiança para que continuassem a ejetar todo o calor que lhes consumia desde a mexida no colo ao som de funk. Recompus-me do inconveniente. Os dois saíram do quarto como se estivessem sendo presos em flagrante delito. Sorriram sem graça e tentaram incursar novamente na animação da festa.

Não durou muito tempo. O tesão foi embora para dar lugar ao remorso de terem cometido um crime “duplamente qualificado” contra uma só pessoa. E eu, definitivamente, percebi que aquele rebolado sem vergonha não era fantasia, mas, sim, um retrato do que a bebida faz com mulheres exageradamente afeitas ao prazer. Passei a noite com dois traidores.

4 comentários:

  1. Forte Pedroca, muito forte! Senti, inclusive, um quê Rodrigueano na história.

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  2. Sinistro Toty!
    Acho que não tenho mais nada a dizer sobra o assunto...
    Hahahahahahahaha

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  3. Gostei, mas "mulheres exageradamente afeitas ao prazer" me soou um discurso puritano demais! Uma idéia de prazer e pecado juntos... um pouco ultrapassado, na minha opinião pouco religiosa.

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  4. ja sei a musica para essa história é minha foi eu e meus amigos q fizemos ela se chama dois traidores é a banda fogo latino q ta tocando mas foi eu quem inventei acessa ai:
    http://www.youtube.com/watch?v=mL57YWBwgGw&noredirect=1
    blz é muito boa essa música

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