sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Crediário da dor


Ainda pago as prestações do nosso amor. Tuas promessas que eu acreditei, aceitei e que você jogou a prazo. Um dia, daqui um tempo, mais pra frente. Sempre foram estas tuas palavras quando eu fazia planos. E assim me deixava por você. Anos e anos sem pensar em mim. Anos e anos só olhando pro teu umbigo, enquanto o meu implorava por um beijo, fosse escondido em um casaco ou escancarado na baby look.

Ainda somo os prejuízos, as dívidas pendentes do tempo que você me dominava. Da época que eu me deixava de lado. Do período que você estava em primeiro plano, sempre me deixando à sombra dos teus atos. Sem brilho próprio, ainda que cheia de brilhantes. Sem cor de vida pela tua eterna escuridão a me rondar. Sem tesão por nada, enquanto você sugava minha juventude e gozava com as outras por aí.

Dividi em muitas parcelas. Já são dois anos que passei a ser eu mesma. Que voltei à minha vida. Mas pago, mês a mês, cada centavo do que você me tirou. Cada dia junto um trocado de autoestima, um punhado de amor próprio, o troco do pão de cada assobio que ouço do peão na rua. E assim me levanto.

Teu crediário está chegando ao fim. Amanhã eu me liberto. Pago a última folhinha do carnê. Já me sinto feliz, já me sinto bela, Já cuidei de mim. Falta um detalhe. Amanhã vou dar pro Fábio. Quem goza por último, goza melhor.

2 comentários:

  1. bauzera_machista7/10/11 09:06

    ca ra lho
    to com medo dessa libertinagem feminina.. que porra eh essa?
    temos que manda-las para a área de serviço denovo. os árabes que estão certos!!!
    #falomermo

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  2. Trata-se de uma revolução mais que ousada das bucetas (ô palavra bonita da porra!)

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