sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Pedido

- E aí, Tetinha? To bonito?
- Tá bem gay, isso sim.
- Vai se foder. Ta bom ou não?
- Mano, tu tá saindo com ela tem um mês, tu acha que faz diferença se tu tá feio ou bonito?
- Claro que sim, idiota! Eu vou pedir ela em namoro hoje...
- Como se vocês já não estivessem namorando.
- Não estamos!
- Ah, tá. Vai na casa dela todo dia, virou melhor amigo do pai dela, a mãe dela te adora. Sua mãe e seu pai adoram ela. Passam o intervalo da aula juntos. Voltam pra casa juntos. Não joga mais bola com a galera na sexta porque vai pro cinema com ela. Não assiste mais jogo domingo porque tá na casa dela estudando... E quer me dizer que não tão namorando? No cu!
- Tu tá com ciúmes?
- Meu ovo.
- Então dá ele aqui pra eu fazer um carinho, vem... vem...
- Vaza, Duda! Sai fora seu prego! Tudo isso aí e num ganhou nem uma pegada no pau ainda.
- Caralho, Teta! Calma, velho. Tô brincando contigo. Po! To feliz, cara. Vou pedir a Jana em namoro hoje. - Não to com pressa de nada.
- Tu não tá com pressa pra comer ela?
- Claro que to afim. Mas deixa acontecer. As coisas tão caminhando muito bem...
- Moleque! Rolou alguma coisa e eu não sei? Me conta, viado!
- Não rolou nada. Nadinha!
- Tu tá me zoando...
- Juro que não. Mas ó, quando rolar vou te contar. Só que tu tem que largar de ser punheteiro. Num vou ficar te dando detalhe de nada não. Vou dizer “rolou” e pronto.
- Nem fudendo! Vai ter que contar tudinho. Quero saber cada detalhe.
- Nem a pau! Não vou contar pra tu ficar no banheiro depois pensando na minha namorada.
- Tu podia ver se ela não quebrava um galho pros teus amigos, né? Hahahahahahaha!
- Vai tomar no cu!
- Então, tu podia quebrar. Tá me devendo aqueles 50 conto do dia do sorvete até hoje.
- Vem cá que tu vai ver o que eu vou quebrar!
- Hahahahahahaha! Sem apelar, Dudinha!
- Tá bom, Tetudo. Deixa eu ir. Tá na hora.
- Boa sorte, moleque. Vou torcer pra ela dizer “não” e tu voltar a ser o velho Duda.
(dedo do meio)
- To zoando, viado! Torcendo pra ela dizer sim e te dar logo, seu cabação! Treinou o sutiã hoje?
- Não.
- Não vai tremer na hora, hein?
- Relaxa. Eu sei o que to fazendo.


- Oi, seu Reinaldo!
- Oi, Duda! Entra aí. A gente tá saindo, mas a Jana tá terminando de se arrumar lá no quarto dela. Vocês vão pra onde?
- Só lanchar ali pelo shopping mesmo.
- E você tá bonitão desse tanto por quê?
- Obrigado, dona Fátima! Não é nada demais, não.
- Tá certo. Vamos, Reinaldo. Se não perdemos a hora do teatro. Tchau, Duda, qualquer coisa liguem pra nós. Vamos estar na rua. A peça acaba daqui 2h.
- Tá bom. Bom teatro pra vocês!


- Jana?
- Oi, Dudinha! To aqui no quarto. Vem cá!
- Oi... nossa, como você tá linda!
- Obrigada! Você também tá bem gatão.
(envergonhado)
- Por que você tá parado aí e não veio me dar um beijo?
(beijo)
- Jana, queria te falar um coisa...
- Quê?
- Eu nunca fui muito bom nisso, mas acho que o que tá acontecendo é o que chamam de “se apaixonar”... E aí queria saber se... se você... vocêquernamorarcomigo?
(silêncio)
- Duda, eu não sei o que dizer.
- Como assim? É sim ou não... Meu Deus, você não quer...
- Não, calma. Não é isso. É só que... é... as coisas estão tão legais que tenho medo, sabe?
- Medo de quê?
- De mudar. De ficar diferente porque é namoro. Da gente passar a se cobrar.
- Então é um não.
- Mas é que eu não queria que fosse um não de acabou tudo. Eu queria que fosse um não de vamos continuar do jeito que tá. Será que dá?
- Mas você não acha que a gente já tá “namorando”?
- Não sei. Mas é que o rótulo é meio pesado. Vamos continuar assim, “ficando”. Do jeito que as coisas vão a gente pensa nisso depois. Só tem um mês que a gente tá nisso.
- Então a gente continua do jeito que tá, mas não é namorado?
- É. Pode ser...??
- Acho que pode, sei lá.
- Você tá chateado?
- Não sei.
- Como assim?
- Não sei, ué.
- Me dá um abraço?
(abraço)
- Você ainda quer ir lanchar?
- Quero. To com fome. Minha mãe nem fez nada pra comer aqui porque eu disse que a gente ia sair, eles também iam.
- É. Encontrei com eles antes de saírem.
- Você tá com fome?
- Acho que sim.
- Então vamos?
- Vamos.


Duda não tinha se preparado para aquilo. Na cabeça dele, as coisas iam tão bem que nem pensou que Jana poderia reagir daquele jeito.

Pensou em Teta. Queria ligar pro amigo e contar tudo, mas agora ia lanchar. Estava confuso. Não sabia bem como reagir àquilo tudo.

Jana o abraçou pela cintura e guardou a mão no bolso de trás da calça dele. Parecia que nem tudo estava perdido.

Este texto faz parte da primeira tentativa deste blog de criar uma história longa e não apenas um conto. Acompanhe a continuidade dele pelo marcador #desenvolvimento

2 comentários:

  1. Minhanossasenhora a continuação é amanhã né?

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  2. Tadiiiiiiiiiiiiinho do Duda....como as mulheres mudaram, né? Ciça

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