sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Instrumental


Quero te dedilhar. Feito um baixo. Seis cordas. Passar meus dedos e te sentir vibrar. Ouvir o grave do teu gemido.Tapping, te ouvindo ressoar.

Te colocar entre meus lábios. Sentir teu gosto amadeirado, tal qual a palheta 3 e ½ do meu saxofone. E te linguar, lamber. Soprar. Apertar todas as teclas. Ouvir teu grito. Alto, baixo, tenor, barítono, soprano, contralto. Todas tuas potências.

E vou te bater. TUM. Ritmado. TUM. TUM. A mão no teu couro. TUM. TUM. TUM. Para fazer você tremer. TUM. TUM. TUM. TUM. Para sentir tua cadência. TUM. TUM. TUM. TUM. TUM. Feito um tambor. TUM. TUM. TUM. TUM. TUM. TUM.

Me plugar em você, guitarra elétrica. Pisar fundo no pedal. Alta voltagem. Distorção. Contorção. Emoção. Criação. Tesão.

Minha partitura é você. Teu gemido, melodia. Teu orgasmo meu sucesso cantado por todos os públicos. Você e eu no topo da Billboard. Vencedores de dez Grammy’s. E os lençóis a nos aplaudir.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Meu vício, meu problema


Estou cansada de juntar teus pedaços pra ver se te tenho por inteiro. Tua força em não se envolver demais pra não se entregar já me trouxe ao limite. E o pior de tudo é que não sei o que fazer. Cada vez que penso em te deixar metade de mim me pede que não. A outra nem sequer cogita a hipótese.

E dessa forma fico aqui vivendo esse meu vício. Essa minha tortura de não conseguir me libertar de você. Porque ainda que aos pedaços meu melhor sonífero é teu cheiro. Mesmo sendo o do uísque-barato-do-bar-pé-sujo-churrasquinho-de-gato de onde você chega na madrugada. Meu melhor relaxante é a tua gargalhada. Mesmo sendo a de ironia quando te pergunto onde você estava e por que chegou tão tarde.

E nessa levada vou vendo o quanto você me vicia. Minha maior medida é você. Meu melhor estimulante é teu gemido. Minha melhor refeição é teu beijo, minha melhor bebida é tua língua. Minha melhor música é tua voz. Minha melhor saudade é teu toque, meu melhor sonho é ao teu lado. Meu maior segredo é teu nome. Meu maior problema é você.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Item Fundamental


- Oi pequena!
- Que bom que você chegou. A gente tá precisando mesmo conversar.
- Nossa, que tom... o que aconteceu? Você tá bem?
- Não. Não estou bem. Estou triste.
- Mas por quê? O que te aconteceu, minha princesa? Por que você está triste?
- To triste por nós.
- ... Não entendo...
- To triste porque sei que você me ama. Sei que você quer ficar comigo, mas eu não consigo mais ficar com você assim.
Não basta ter amor. Não basta gostarmos um do outro. Não basta nosso papo ser legal e nosso sexo ser ainda melhor. Eu preciso de confiança. E você não confia mais em mim.
Eu sei que eu errei. Eu sei que fiz uma coisa boba e tola que te feriu e machucou. Mas você também sabe que apesar daquilo ser algo que você não esperava de mim, não passou de uma grande brincadeira. Mas você não consegue esquecer. Você não consegue perdoar. E aí, qualquer outra coisa menor é motivo pra você mudar. É motivo pra você agir diferente. É motivo para questionamentos. E isso é o que eu não posso aguentar.
Não quero ser questionada a cada dia. Não quero ser interrogada sobre cada passo que dou. Não quero ter que te contar quem eram todas as 58 pessoas – que eu não conheço – que estavam no bar durante o happy hour que você foi convidado e não quis ir. Não quero ouvir suas respostas atravessadas sobre coisas banais.
Principalmente porque eu sou a pessoa que se você me machucar hoje, amanhã vai ter esquecido e vai te tratar normalmente. Mesmo que não estejamos mais juntos. Da mesma forma como eu faço com os meus ex e você me recrimina. Já parou pra pensar que você pode ser o próximo? Já imaginou como vai ser ruim me encontrar na rua e eu fingir que não te conheço? Fingir que nada do que vivemos existiu? Apagar esses sete anos? É isso que você deseja? Espero que não. Então, meu bem, por favor, não me deixe ser assim com os outros. Não me deixe esquecer meu passado, pois foi ele que criou a mulher que você tem hoje.
Seja mais amigo, seja mais confidente, seja mais confiante. Se estou contigo é porque quero, não porque preciso. Fosse isso já tinha arrumado outro e saído porta afora carregado suas lembranças misturadas às outras e me entregando totalmente ao próximo.
Eu quero que você saiba que estou aqui porque quero estar. Porque quero você. Porque te admiro. Porque confio a você meus segredos e minha vida e não há nada mais importante do que isso para confiar a alguém. Porque amo você.
E é só isso que espero em troca: sua confiança. O resto se ajeita com o passar dos dias. Com o balançar dos corpos. Com o encaixar das bocas.
Será que dá?
- Desculpe, querida. Não sei nem o que falar...
- Não te pedi palavras. To pedindo atitudes. Faça. Eu vou notar e as coisas voltam ao seu lugar.
- Meu lugar ainda é aí ao seu lado?
- O edredon não me esquenta sozinho. Preciso de você...

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Das coisas que quero mais


É assim a vida que quero levar com você. Com mais leveza, com mais frescor. Ao teu lado no mercado, decidindo-se pelo robalo ou pelo badejo, um beijo, um ramo de hortelã, pote de sorvete e um beliscão na tua bunda que te faz pular e me repreender.

É dessa forma que quero seguir nossos dias. Com chocolate branco pra você e meio amargo pra mim, mas na hora que enjoar a gente troca. E quando derreter nos teus dedos eu lambo cada um e depois beijo a tua barriga. Entre cócegas e tesão você me pede pra parar com cara de quem quer que continue. E eu paro só pra você pedir pra eu voltar.

Entre um vinho branco e outro tinto. Um cabernet e um chardonnay. Minhas cervejas e tuas caipirinhas. Tuas cerejas e meus morangos. Arroz branco e frango acebolado. Churrasco e salada. E uma inesperada mordida no meu pescoço. E agora é minha vez de pedir pra parar, mas eu não peço.

Porque é isso que eu quero de você hoje e sempre. Daqui pra frente e mais adiante. Na mesa de jantar, no sofá, na cozinha e na cama. Na sua casa, na minha casa, na nossa casa. Mais jantares, mais vinho, mais chocolate, mais sexo e muitas gargalhadas. Isso e todo o resto que você me traz. Toda essa bagagem que faz de você o que eu quero pra mim.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Reforma geral no meu coração


É sério. Eu estou cansada. Não aguento mais esses caras que aparecem na minha vida. São todos um bando de pedreiros que não tem a menor sensibilidade e estão, apenas, à procura de um corpo pra satisfazê-los. Vou fechar meu coração para uma reforma geral.

Preciso de um mestre de obras para construir um coração nesse terreno vago que trago no peito. Alguém que chegue e bote ordem na peãozada. Que saiba olhar o esqueleto do meu edifício e identificar onde ainda falta reboco, onde precisa de mais argamassa. Um cara que consiga endireitar a viga mestra da minha vida. Que ladrilhe cada lugar com esmero. E um engenheiro que estruture tudo isso.

Eu preciso do arquiteto que vá dizer que podemos quebrar uma parede aqui, abrir uma janela ali e assim deixar minha vida mais arejada, com o sol da manhã batendo pra me aquecer. Que escolha a cor da parede. E que seja uma cor viva, quente. Um paisagista que plante um jardim na minha porta e traga flores para o meu dia.

Mas de pedreiro que assovia e dá cantada barata, chega. Desculpe o transtorno, mas estamos em obras para melhor atendê-lo.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Arriscado ensaio sobre las mujeres


Sou um apreciador da linhagem feminina. De suas cores, aromas, gestos e desejos. Há sempre algo de surpreendente nas mulheres. Das bruacas às modelos, todas têm um não-sei-quê de amor, beleza e um punhado de chatice. As mulheres são amáveis e detestáveis. Instáveis. Umas desequilibradas e outras equilibradas demais. Cada qual com seu charme. E que chame.

Por essas e outras, mais quentes, um homem deve sempre respeitá-las. Mesmo aquelas que descem a mais rasteira das sem-vergonhices, que têm lá suas razões, claro, devem ser tratadas como mulheres. Essas, aliás, são originais como uma antártica do velho e bom Marujo. Autênticas como um código de barra de uma barra de chokito. Coisita fina. Ainda assim, com peripécias e tudo, elas merecem ser respeitadas. Merecem consideração e perdão (voto de confiança é outra coisa, people).

O mancebo, para sintonizar no dion feminino sem ruídos ou perda de sinal, deve obedecer regras básicas. Corrijam-me se eu estiver enganado, moças. Mas mulher detesta marmanjo ignorante. Muitas nem gostam do excesso de musculatura, sempre avermelhada na volta da academia. Carinho é sempre bom. Mas sem muita frescura.

Mulher não gosta de homem assustador. Nem frouxo demais. O cabra deve, acima de tudo, ter foco. Não podem ser como Rambo no Vietnã, de cabeça avermelhada e metralhadora na mão. Temos de ser atiradores de elite. Mirar, concentrar e atirar.

Foco é tudo.

Necessário na conquista e também para manter um bom relacionamento. Os modernos garantem uma fêmea e ponto. E descobrem a dita cuja por inteiro. Conversam, brincam, transam, brigam e se separam - não necessariamente nesta ordem - e depois partem para outra. Isso me lembra conselhos da mamãe na minha velha infância: "Come devagar, menino. Uma de cada vez". Só pra registrar: falo do biscoito de chocolate. Boníssimo!

Enfim, vocês, mujeres, não gostam de nhén-nhén-nhén. De homem indeciso. Discutir a relação? A iniciativa deve ser delas. A gente escuta, faz um carinho, dá uma enrolada, diz que vai mudar e pronto. Ou, simplesmente, dá de ombros (mas tem de ser numa quarta, dia de clássico) e conversa depois, quando tiver tudo numa relax, numa tranquila, numa boa.

Mas, atenção, gloriosas. Não sou professor de nada. Apenas aprendiz de tudo. Corrijam-me se eu estiver - total ou parcialmente – errado nesta arriscada missão de decifrá-las. Pra mim vai ser ótimo aprender mais um pouquito más.

Fui!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Aprendendo com o não

No rádio o Herbert Vianna cantou “se eu nunca quisesse quem nunca me quis” e aquilo me bateu como uma marreta na cabeça. Se eu nunca quisesse quem nunca me quis, certamente a vida teria sido bem mais fácil. Mas teria valido a pena? Teria sido tão surpreendente? Eu teria todo o aprendizado que tive?

Quem ama e é correspondido vive. Mas quem ama sem ser correspondido sobrevive. E é na sobrevivência que conhecemos a dor. É a dor que nos traz a força.

Porque se eu nunca quisesse quem nunca me quis, não teria ficado debaixo de chuva esperando a Aninha chegar do trabalho pra encontrá-la “acidentalmente”. Não teria inventado um estranho gosto por vitamina de abacate com aveia, mel, tofu e amendoim, só para acompanhar a Márcia naquela lanchonete natureba.

Se eu nunca quisesse quem nunca me quis, não teria chorado ao ver a Helena beijando o Leco na festa de formatura. O álcool ajudou, é claro. Mas eu amava aquela menina. E ela nunca me quis. Nem como amigo. Essas experiências e algumas outras me ensinaram muito. Ensinaram a perceber que nem tudo o que queremos podemos ter, mas também que se nos esforçarmos, conquistamos pontos.

Aprendi que ouvir não faz mal para o ego, mas faz bem pra ter persistência. E aprendi que abacate, tofu, mel, aveia e amendoim dão diarreia.

Por isso, Herbert, se eu nunca quisesse quem nunca me quis, não seria o homem que sou hoje. Não teria ouvido os nãos que me fizeram aprender e crescer. Aliás, acho que se eu (e todos os outros homens do mundo) nunca quisesse quem nunca me quis, nem a Gisele Bündchen seria tão famosa. Afinal, ela só é quem é por ser desejada. E por não desejar nenhum de nós, mortais. Se bem que ela ainda não me conhece, né? Será?

sexta-feira, 29 de julho de 2011

O valor do "vale naite"


Se você pretende saber como são os seres viventes humanos, dê-lhes um "vale naite". Aportuguesado mesmo. Bem ralé e cheio de energia. De uns quatro dias. Mas cuidado com as consequências.

- Amor, vou viajar na quinta.

- Viajar? Cê tá doida? Que história é essa?

- É. Vou com meus pais. É aniversário do meu avô e terei que ir.

- iiii, gata. É mermo? Programão, hein? E cê volta quando?

- Volto no domingo. Vai ter a festa no sábado, mas meus pais querem ir antes.

- Pô. Tudo isso? (carinha de triste)

- Pois é. Tudo isso. (beijinho na carinha de triste)

- Então, tá, né? Vou ficar por aqui, te aguardando.

- Te comporta, viu? Nada de ficar na farra.

- Que farra nada, amor. Só vou na bola quinta, que você já sabe, e de lá um chope com a galera. Uma da manhã, no máximo, eu tô em casa.

- Uma da manhã?!!! Mas cê sempre volta meia-noite.

- É, amor, mas cê não tá aqui, né? Então posso dar uma atrasadinha.

- Ummmmm. Já vai começar.

- Relaxa, xuxu. Na sexta vou ter que ir para casa dos meus primos, viu?

- Primos?! Pô, mas você nunca vai na casa dos seus primos. Nunca sai com eles.

- Por isso mesmo, linda. Quero marcar uma presença. Eles me ligaram no começo da semana. Vai rolar um poker lá e me chamaram. Só homem mesmo. Se você estivesse aqui eu não iria. Mas como cê vai tá fora - e eu não vou ter o que fazer sem você aqui - vou lá.

- Tá, mas me liga de lá pra eu saber que você tá lá mesmo.

- Me respeita. Cê acha que eu vou pra onde? E outra coisa. Lá na casa do Márcio sabe como é. O celular pega mal. Mas vou ligar pra você quando tiver indo.

- E no sábado?

- No sábado vou na praia com a galera, como sempre. Dessa vez sem você.

- E domingo?

- A ressaca vai tá braba. Não vou querer saber de rua.

- Tá. Rum. Vou ficar de olho.

- Relaxa, lindona. Confia no papai...

A sexta chega livre leve e solta. Tudo armado. O poker vai virar sertanejo na Toca do Urubu com a rapaziada toda na ilegalidade. Banho tomado, perfuminho e base na casa da primalhada. Urru! A noite promete.

Não fosse o telefone tocar. O número é o do celular da sogra.

- Alô?

- Aloou! Oi, dona Marlene. Como tá, tudo bem?

- Tudo. Tentei ligar no telefone da Julinha, mas tá desligado. E como tá a viagem?

- Viagem? Eu que pergunto, dona Marlene. Vai ter festão?

- Que festão, meu filho. Tô em casa, preocupado com minha filha que viajou e não me ligou ainda.

- Viajou? Ela não está viajando com vocês? Me falou que iria no aniversário do avô com os pais.

- Aniversário? Não. Ela me disse que viajaria com você pra fazenda de uns amigos seus. Ai meus Jesus...!

- Jesus, dona Marlene? Puta que pariu...