Eu vou é me sentar, folha em branco e caneta na mão, e me escrever uma carta. Quando ela chegar, terei certeza – e ainda que não tenha, me convencerei – de que ela veio de você. Cheia de notícias suas, sobre a sua vida em lugar lindo e feliz. Seu novo trabalho, seus novos amigos. Vou ficar feliz em poder ler tudo isso.
Suas palavras serão amistosas. Você vai se lembrar de histórias que vivemos juntos. Dirá que tomou um sorvete de tamarindo incrível e que tem certeza que eu iria gostar. Me perguntará se aquele café que frequentávamos ainda está aberto e se o nosso garçom amigo ainda anda por lá. E ainda vai me prometer enviar junto da próxima carta uma lata de goiabada cascão que uma senhora, já bem idosa, produz aí nas redondezas de onde quer que você esteja.
E eu vou sorrir. Vou ficar feliz por saber que você está bem. Vou me sentir tranquilo até quando você disser que está bem no campo amoroso. Vai doer, lógico. A pontada no estômago, a aceleração cardíaca, aquele primeiro momento de “não acredito que ela fez isso comigo”. Tudo normal, mas te garanto, vou ficar contente.
Afinal, é melhor saber que você está bem nos braços de um qualquer. É melhor do que pensar que você está aí sofrendo de saudades de mim. Do mesmo jeito, com a mesma intensidade que eu to aqui, sofrendo de saudade de você. Não desejo isso pra ninguém. Já pensou se eu ia querer isso logo pra você?
Quero mais é te ver assim, feliz. Indo atrás dos teus sonhos, da tua vida. Fazendo tudo aquilo que eu disse que faríamos juntos, mas não tive colhão pra levantar e ir atrás. Quem sabe assim um dia você se encontra de vez. “Conhece te a ti mesma”, como costumávamos falar. E aí você se dê conta de que só vai ter uma coisinha faltando pra tua alegria plena: eu.
A vida é feita de histórias. Boas e ruins. Surpreendentes ou não. Você nunca estará livre de histórias marcantes.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Mas
É cedo, eu sei. Mas você não vai me fazer feliz. Desculpe, querida. Mas eu sei que não. Aprendi com o tempo, consigo me antecipar. Você, infelizmente, não é pra mim.
Poderia dizer: você é linda, você é inteligente, você é legal. Mas a verdade é que diria tudo isso, faria todos os elogios e no fim viria o "mas". Você é perfeita, mas... E você não merece. Você não precisa de mas.
Então ficamos assim. Você é, sim, linda. Você é inteligente. Você é divertida. Você é espontânea. Você é independente. Você é perfeita. Você seria mulher ideal para qualquer cara normal. Mas sempre há o mas.
Mas... E não tome pra você. Esse mas é pra mim. Você é maravilhosa, mas eu sou um babaca. Por isso eu sei. Você não vai me fazer feliz. Porque eu não vou corresponder a você. Mas... É mesmo uma pena, mas eu sou pouco pra você.
Poderia dizer: você é linda, você é inteligente, você é legal. Mas a verdade é que diria tudo isso, faria todos os elogios e no fim viria o "mas". Você é perfeita, mas... E você não merece. Você não precisa de mas.
Então ficamos assim. Você é, sim, linda. Você é inteligente. Você é divertida. Você é espontânea. Você é independente. Você é perfeita. Você seria mulher ideal para qualquer cara normal. Mas sempre há o mas.
Mas... E não tome pra você. Esse mas é pra mim. Você é maravilhosa, mas eu sou um babaca. Por isso eu sei. Você não vai me fazer feliz. Porque eu não vou corresponder a você. Mas... É mesmo uma pena, mas eu sou pouco pra você.
sexta-feira, 30 de março de 2012
Eu não sou ele
*Por Diego Amorim
Eu não sou o seu pai. Não fui eu quem trai sua mãe, por mais de uma vez e com mais de uma mulher. Não fui eu quem chegou a sua casa de madrugada, bêbado, gritou com você, empurrou seu irmão e quebrou o vaso mais caro da sala de estar. Não sou eu aquele homem estúpido e, coitado, inconsequente. Aprenda isso de uma vez por todas, meu bem.
Sei que ele não é o exemplo de homem que você gostaria de ter tido em casa. Sei que ele não é o pai que você merece nem o esposo que sua mãe sempre desejou. Mas ele é ele. E eu sou eu. Não venha descontar em mim seus traumas e suas revoltas familiares. Procure um psicólogo, um pastor, um padre, cinco amigas, vá comer chocolate, ver filmes repetidos, mas não me atormente nem coloque nossa relação em risco por conta de sua raivazinha reprimida.
Alguns problemas seus serão nossos, benzinho. Mas esse, me perdoe, é problema seu, somente seu. Pare com essa nóia de me comparar com seu pai, de cuspir em mim os olhares odiosos e as palavras ácidas que você nunca teve nem terá coragem de dirigir a ele. Chega de jogar indiretas para cima de mim. Chega de viver amedrontada, de fantasiar traições que nunca cometi, de atribuir a mim um caráter duvidoso que nunca lhe transpareci.
Meu bem, sou homem. Coisa que seu pai não pareceu ser para você. Dizem por aí que as mulheres acabam – mesmo que inconscientemente – procurando parceiros parecidos com os pais. Se é verdade, não sei. Mas se for, tenho certeza de que, no nosso caso, você errou na procura. Sou bem diferente do seu pai. Você sabe disso. Só precisa se convencer.
*O Blog Alguns Momentos publica, uma vez por mês – sempre na última semana –, um texto de um amigo do blog. Tem uma história para contar? Quer escrever também? Mande seu texto para blogalgunsmomentos@gmail.com
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sexta-feira, 23 de março de 2012
Preferência
Prefiro você assim. Nesses seus dias de docilidade em que você me beija e me pede pra dizer que vou estar sempre ao seu lado. Aqueles momentos quando tudo o que você busca é minha mão pra segurar, ou meu ombro pra deitar a cabeça. Teus momentos de serenidade. Quando deita ao meu lado e dorme com as pernas enroscadas nas minhas.
Gosto mais de quando você me espera nua na cama. Me deito e sinto teu corpo quente, desejoso do meu. Prefiro você assim, pedindo e mandando na mesma medida. Ouvindo e falando equilibradamente. Quando você mostra que está no controle da situação. Esses dias como hoje. E como tantos outros ao longo da nossa jornada.
Mas não vou desistir de ti por conta dos outros dias. Não vou te largar pelos teus acessos de fúria. Pelas palavras fora de contexto que entram rasgando no meu peito. Nem pela indolência. Tampouco pela ironia ou pelo cinismo. Não largo, não desisto. Pode acontecer quantas vezes for. Meu peito se regenera.
Não me importo que me ignore por três dias. Que seja monossilábica. Que só responda sim e não. Não é isso que vai me fazer desistir de você. Eu seguro, finjo que tá tudo bem e levo em frente. Porque sei que depois seus dias bons voltam. E eu, definitivamente, prefiro você assim. Nesses dias em que você liga e só quer saber se eu estou bem. Tem como responder que não?
Gosto mais de quando você me espera nua na cama. Me deito e sinto teu corpo quente, desejoso do meu. Prefiro você assim, pedindo e mandando na mesma medida. Ouvindo e falando equilibradamente. Quando você mostra que está no controle da situação. Esses dias como hoje. E como tantos outros ao longo da nossa jornada.
Mas não vou desistir de ti por conta dos outros dias. Não vou te largar pelos teus acessos de fúria. Pelas palavras fora de contexto que entram rasgando no meu peito. Nem pela indolência. Tampouco pela ironia ou pelo cinismo. Não largo, não desisto. Pode acontecer quantas vezes for. Meu peito se regenera.
Não me importo que me ignore por três dias. Que seja monossilábica. Que só responda sim e não. Não é isso que vai me fazer desistir de você. Eu seguro, finjo que tá tudo bem e levo em frente. Porque sei que depois seus dias bons voltam. E eu, definitivamente, prefiro você assim. Nesses dias em que você liga e só quer saber se eu estou bem. Tem como responder que não?
sexta-feira, 16 de março de 2012
Quem procura nem sempre acha
- Amor, você leu a revista da semana?
- Não, por que?
- Tem uma reportagem lá muito interessante. Nos Estados Unidos quase 50% dos divórcios ocorrem após alguma descoberta na rede social.
- É mesmo?
- É. Você tem atualizado o seu Face?
- ah! Não começa. Só uso pra trabalho.
- Tem ou não?
- Uso socialmente. De vez em quando. Tenho que me relacionar com algumas pessoas.
- Sei.
Ele vai tomar banho. Ela, impressionada, pega o smartphone do marido. Abre o Facebook. O aparelho pede uma senha. Droga! Ela tenta o aniversário dele. Nada. O aniversário da filhinha. Nada. O aniversário da mão dele. Nada. Merda! E agora? Tenta a data de nascimento dela. Bingo!
Vai em frente. Pensa em desistir. Ele cantarola no banheiro. Ela não se afasta. Quer monitorar o tempo do banho. Abre o mural. Passa o olho. Mas já conhece aquilo tudo. Vai em mensagens. Zero mensagens. Nenhuma sequer. Ele apagou? Ele não recebeu?
O chuveiro desliga. Alguns segundos se passam. Ela joga o celular na cama, onde estava. Com medo. Ele abre a porta. Abraça a esposa, beija. Pega o celular e sai, só de toalha. Checa os e-mails.
O mais recente:
Lucinha84 dizia:
Pra mim também foi ótimo... Quero repetir!
Ele apaga e vai se vestir para sair com a família.
- Não, por que?
- Tem uma reportagem lá muito interessante. Nos Estados Unidos quase 50% dos divórcios ocorrem após alguma descoberta na rede social.
- É mesmo?
- É. Você tem atualizado o seu Face?
- ah! Não começa. Só uso pra trabalho.
- Tem ou não?
- Uso socialmente. De vez em quando. Tenho que me relacionar com algumas pessoas.
- Sei.
Ele vai tomar banho. Ela, impressionada, pega o smartphone do marido. Abre o Facebook. O aparelho pede uma senha. Droga! Ela tenta o aniversário dele. Nada. O aniversário da filhinha. Nada. O aniversário da mão dele. Nada. Merda! E agora? Tenta a data de nascimento dela. Bingo!
Vai em frente. Pensa em desistir. Ele cantarola no banheiro. Ela não se afasta. Quer monitorar o tempo do banho. Abre o mural. Passa o olho. Mas já conhece aquilo tudo. Vai em mensagens. Zero mensagens. Nenhuma sequer. Ele apagou? Ele não recebeu?
O chuveiro desliga. Alguns segundos se passam. Ela joga o celular na cama, onde estava. Com medo. Ele abre a porta. Abraça a esposa, beija. Pega o celular e sai, só de toalha. Checa os e-mails.
O mais recente:
Lucinha84 dizia:
Pra mim também foi ótimo... Quero repetir!
Ele apaga e vai se vestir para sair com a família.
sexta-feira, 9 de março de 2012
Criador e criatura
O cara que inventou o amor, definitivamente, esqueceu de “desinventar” a saudade. Digo mais: ele também esqueceu de apagar de vez aquele papo de solidão. E é por isso que eu estou aqui escrevendo essas palavras. É para você, senhor inventor do amor, que com a bela intenção de criar algo bom acabou por tornar possível vários outros monstros.
Porque não é possível que um coração tão cheio de amor quanto este que bate aqui também se condoa de saudade. Não pode, não é justo, não é honesto. É inconcebível, é inimaginável. É um ultraje. É um afronte. É um acinte. É tudo mais que você puder imaginar. Se é que você ainda consegue imaginar algo depois de ter gasto todo seu tempo criando figuras tão horrorosas.
Então, senhor Gepeto do Coração, faça-me o favor de acabar com suas criações. Faça como Frankeinstein e morra. Quem sabe assim, sua criatura maléfica não se suicida junto. Suma, desapareça, vá embora. E leve contigo essa solidão. Carregue com você, num saco preto e sem possibilidade de respiração, essa saudade. Nem que pra isso você precise levar junto o amor.
Porque não é possível que um coração tão cheio de amor quanto este que bate aqui também se condoa de saudade. Não pode, não é justo, não é honesto. É inconcebível, é inimaginável. É um ultraje. É um afronte. É um acinte. É tudo mais que você puder imaginar. Se é que você ainda consegue imaginar algo depois de ter gasto todo seu tempo criando figuras tão horrorosas.
Então, senhor Gepeto do Coração, faça-me o favor de acabar com suas criações. Faça como Frankeinstein e morra. Quem sabe assim, sua criatura maléfica não se suicida junto. Suma, desapareça, vá embora. E leve contigo essa solidão. Carregue com você, num saco preto e sem possibilidade de respiração, essa saudade. Nem que pra isso você precise levar junto o amor.
sexta-feira, 2 de março de 2012
Toma, toma e... toma!
- como foi seu dia, linda?
- bem e o seu?
- cansativo. mas produtivo.
- o meu deu no mesmo.
- eu sei que você está cansada. Mas precisava te trazer aqui hoje. tenho algo importante para falar.
- sério? e o que é?
- vamos pedir alguma coisa para beber? um vinho, um prosecco?
- não. não estou muito para beber hoje. estou naqueles dias, sabe?
- sim, sim.
- eu também tenho uma coisa para falar. mas conto depois de você contar.
- não, fala logo.
- não. é uma longa conversa.
- fala, fala, fala.
- tem certeza?
- claro. fala. adoro ver você falando sério.
- sabe o que é. as coisas mudaram. eu estou confusa.
- confusa?
- isso. tenho pensado umas coisas. você sabe que eu sempre fui muito direta, né? então... tenho pensado umas coisas. tido umas vontades. algo que está me deixando muito confusa.
- o que, por exemplo?
- sabe o maurício? pois é. tenho pensando nele.
- maurício? o meu irmão? como assim?
- eu tenho pensado umas coisas.
- como assim, bruna? meu irmão é um brutamontes, lutador. nunca fez seu tipo. vem dizer que você se apaixonou por ele?
- não sei...
- não sabe? que merda... a gente namora há um ano e meio. meu irmão morava longe. agora que ele chegou, você vira isso. é assim que disse que me amava? amava uma droga.
- calma, roberto. isso pode mudar. acho que é só uma fase.
- fase. não existe fase para isso. ou você gosta ou não. e da mesma forma como você acha que pode estar apaixonada pelo meu irmão, pode se apaixonar por outro. pra mim, está tudo muito claro.
pausa...
- toma!
- o que é isso, roberto?
- o que é isso? ora, o que é isso! um anel. eu iria lhe pedir em casamento hoje. mas agora basta lhe mostrar. Garçom! a conta, por favor.
- é só uma água, senhor. não precisa se incomodar.
- a moça ainda deve ficar. eu terei de sair mais cedo. muito obrigado.
- roberto. calma. não vai agora. vamos conversar.
- conversar é uma ova. pra mim chega. estou indo...
ele levanta.. ela pede calma de novo. ele se vira, aperta o passo, para, pensa e volta.
- quer saber de um coisa?
- o que?
- meu irmão é gay.
- gay?!
- isso mesmo. GAY! e, você, passe bem...
- bem e o seu?
- cansativo. mas produtivo.
- o meu deu no mesmo.
- eu sei que você está cansada. Mas precisava te trazer aqui hoje. tenho algo importante para falar.
- sério? e o que é?
- vamos pedir alguma coisa para beber? um vinho, um prosecco?
- não. não estou muito para beber hoje. estou naqueles dias, sabe?
- sim, sim.
- eu também tenho uma coisa para falar. mas conto depois de você contar.
- não, fala logo.
- não. é uma longa conversa.
- fala, fala, fala.
- tem certeza?
- claro. fala. adoro ver você falando sério.
- sabe o que é. as coisas mudaram. eu estou confusa.
- confusa?
- isso. tenho pensado umas coisas. você sabe que eu sempre fui muito direta, né? então... tenho pensado umas coisas. tido umas vontades. algo que está me deixando muito confusa.
- o que, por exemplo?
- sabe o maurício? pois é. tenho pensando nele.
- maurício? o meu irmão? como assim?
- eu tenho pensado umas coisas.
- como assim, bruna? meu irmão é um brutamontes, lutador. nunca fez seu tipo. vem dizer que você se apaixonou por ele?
- não sei...
- não sabe? que merda... a gente namora há um ano e meio. meu irmão morava longe. agora que ele chegou, você vira isso. é assim que disse que me amava? amava uma droga.
- calma, roberto. isso pode mudar. acho que é só uma fase.
- fase. não existe fase para isso. ou você gosta ou não. e da mesma forma como você acha que pode estar apaixonada pelo meu irmão, pode se apaixonar por outro. pra mim, está tudo muito claro.
pausa...
- toma!
- o que é isso, roberto?
- o que é isso? ora, o que é isso! um anel. eu iria lhe pedir em casamento hoje. mas agora basta lhe mostrar. Garçom! a conta, por favor.
- é só uma água, senhor. não precisa se incomodar.
- a moça ainda deve ficar. eu terei de sair mais cedo. muito obrigado.
- roberto. calma. não vai agora. vamos conversar.
- conversar é uma ova. pra mim chega. estou indo...
ele levanta.. ela pede calma de novo. ele se vira, aperta o passo, para, pensa e volta.
- quer saber de um coisa?
- o que?
- meu irmão é gay.
- gay?!
- isso mesmo. GAY! e, você, passe bem...
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Para te agradecer
*Por Iêda Campos Vilela
Querido Aldo,
Fiquei um bom tempo me perguntando por que você não tinha sequer me respondido quando eu te procurei. Gastei um bom tempo tentando achar essa resposta. Tachei de falta de educação. Ou até pura e simples falta de interesse.
E foi então que eu percebi que não me importo. Porque eu só preciso de uma coisa: que você me escute. Mesmo que seja à distância. Mesmo que seja via sinal de fumaça... Eu preciso dizer certas coisas que talvez você nem tenha interesse em saber, mas eu preciso colocar pra fora.
As energias negativas da última conversa precisam sair de mim e isso só vai acontecer no momento que eu conseguir te dizer que você foi o cara mais legal da minha vida. E não pense que isso é uma cantada ou que estou te dando mole. É apenas uma carta de alguém que passou na sua vida, viveu coisas legais ao seu lado, cresceu com você, aprendeu com você, ensinou para você, enfim, trocou muita coisa legal.
Lógico que tiveram coisas ruins, também, e tristes em momentos difíceis. Mas isso, nessa carta, não me interessa nem um pouquinho. Por você ter sido meu namorado eu ando beeeem mais exigente.
Você participou da minha virada de menina para mulher. Esteve ao meu lado em momentos legais e importantes. E eu quero agradecer. Dizer que foi legal! E que eu queria muito, um dia, poder ser sua amiga. Mesmo que seja como deve ser: em silêncio e à distancia. Apenas nas lembranças.
*A partir de hoje o Alguns Momentos passa a publicar, uma vez por mês – sempre na última semana –, um texto de um amigo do blog. Tem uma história para contar? Quer escrever também? Mande seu texto para blogalgunsmomentos@gmail.com
Querido Aldo,
Fiquei um bom tempo me perguntando por que você não tinha sequer me respondido quando eu te procurei. Gastei um bom tempo tentando achar essa resposta. Tachei de falta de educação. Ou até pura e simples falta de interesse.
E foi então que eu percebi que não me importo. Porque eu só preciso de uma coisa: que você me escute. Mesmo que seja à distância. Mesmo que seja via sinal de fumaça... Eu preciso dizer certas coisas que talvez você nem tenha interesse em saber, mas eu preciso colocar pra fora.
As energias negativas da última conversa precisam sair de mim e isso só vai acontecer no momento que eu conseguir te dizer que você foi o cara mais legal da minha vida. E não pense que isso é uma cantada ou que estou te dando mole. É apenas uma carta de alguém que passou na sua vida, viveu coisas legais ao seu lado, cresceu com você, aprendeu com você, ensinou para você, enfim, trocou muita coisa legal.
Lógico que tiveram coisas ruins, também, e tristes em momentos difíceis. Mas isso, nessa carta, não me interessa nem um pouquinho. Por você ter sido meu namorado eu ando beeeem mais exigente.
Você participou da minha virada de menina para mulher. Esteve ao meu lado em momentos legais e importantes. E eu quero agradecer. Dizer que foi legal! E que eu queria muito, um dia, poder ser sua amiga. Mesmo que seja como deve ser: em silêncio e à distancia. Apenas nas lembranças.
Beijos,
Suzie Q.
*A partir de hoje o Alguns Momentos passa a publicar, uma vez por mês – sempre na última semana –, um texto de um amigo do blog. Tem uma história para contar? Quer escrever também? Mande seu texto para blogalgunsmomentos@gmail.com
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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Amor de Carnaval
Vem cá, samba aqui. Pula teu carnaval no meu bloco. Me amarra em você com serpentina, enche minha vida de cor, feito confete. Eu canto a marchinha. Eu me visto de bate-bola. Pierrô ou Arlequim. Polícia ou Ladrão. Mas fica aqui, dança mais essa comigo, mesmo que não seja de corpo colado. Alalaô, mas que calor! Gruda que quero sentir você suando.
Fica mais, quebra aqui. Vem pra minha ala, usa a fantasia que pensei pra nós dois. Toco bumbo, pandeiro, cuíca, toda bateria. Faço paradinha só pra você. Viro mestre-sala. Viro destaque de carro. Viro, rodo, giro, entorto. Mas vem cá, samba aqui comigo.
Vem, veste meu abadá e entra pro lado de cá da minha corda. Eu empurro o trio pra você. Faço teu circuito. Entro em curto. Curto todos os sucessos do axé. Barra-Ondina. Dodô-Osmar. Olha o mar, dá mais um beijo. Eu faço teu camarote. Mas não vai, não. Vamos dar mais uma volta.
Vem cá, olha pra mim. Na rua, no bloco, no trio, no sambódromo. Vem cá, fica aqui. Eu te quero junto. Vem cá, toma mais um gole. Ainda é cedo. Vem cá, quarta-feira ainda tá longe. Vem cá, descansa no meu colo. Eu não te largo mais. Sem essa de amor de carnaval. As cinzas de quarta vão queimar por muito tempo ainda. Vem cá, vem?
Fica mais, quebra aqui. Vem pra minha ala, usa a fantasia que pensei pra nós dois. Toco bumbo, pandeiro, cuíca, toda bateria. Faço paradinha só pra você. Viro mestre-sala. Viro destaque de carro. Viro, rodo, giro, entorto. Mas vem cá, samba aqui comigo.
Vem, veste meu abadá e entra pro lado de cá da minha corda. Eu empurro o trio pra você. Faço teu circuito. Entro em curto. Curto todos os sucessos do axé. Barra-Ondina. Dodô-Osmar. Olha o mar, dá mais um beijo. Eu faço teu camarote. Mas não vai, não. Vamos dar mais uma volta.
Vem cá, olha pra mim. Na rua, no bloco, no trio, no sambódromo. Vem cá, fica aqui. Eu te quero junto. Vem cá, toma mais um gole. Ainda é cedo. Vem cá, quarta-feira ainda tá longe. Vem cá, descansa no meu colo. Eu não te largo mais. Sem essa de amor de carnaval. As cinzas de quarta vão queimar por muito tempo ainda. Vem cá, vem?
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Porque não
Eu quero que você entenda isso: não tem nada de errado com você. Mas eu também não vou ficar aqui naquele papo de “não é você, sou eu”. Não! Também não tem nada de errado comigo. Mas eu simplesmente não estou afim de você. E não quero levar adiante uma coisa que seria meio forçada, sabe? É errado com você e, principalmente, comigo.
Então entenda: você é, sim, um cara muito legal. Você é, sim, um baita partido. Você é, sim, o genro que toda sogra sonha. Mas não é pra mim. Não é! E não foi por um erro seu. Não foi por algo que tenha dito. Não foi porque o beijo é ruim. Nada disso. Não foi, simplesmente, porque não.
Sabe aquela coisa de criança de “porque não” não é resposta? Pois é. Bela bobagem. Porque não é resposta sim. Resposta super plausível. E, como você demonstrou tanta maturidade, espero que entenda. É só isso. Quando você pensar “porque ela não quis continuar comigo?”, saiba que a resposta é só essa: porque não.
Pra ler ouvindo: http://letras.terra.com.br/los-hermanos/69088/
Então entenda: você é, sim, um cara muito legal. Você é, sim, um baita partido. Você é, sim, o genro que toda sogra sonha. Mas não é pra mim. Não é! E não foi por um erro seu. Não foi por algo que tenha dito. Não foi porque o beijo é ruim. Nada disso. Não foi, simplesmente, porque não.
Sabe aquela coisa de criança de “porque não” não é resposta? Pois é. Bela bobagem. Porque não é resposta sim. Resposta super plausível. E, como você demonstrou tanta maturidade, espero que entenda. É só isso. Quando você pensar “porque ela não quis continuar comigo?”, saiba que a resposta é só essa: porque não.
Pra ler ouvindo: http://letras.terra.com.br/los-hermanos/69088/
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Falando abertamente
Às vezes paro pra ouvir meus amigos e pensar sobre as incríveis histórias de relacionamentos que eles têm. Penso em todas as possibilidades, reviravoltas, tensões, brigas e me espanto. São tantas coisas que acontecem por nada. Tanta bobagem que poderia ser resolvida com um bate-papo, mas que acaba em homéricas discussões. Tanta falta de sensibilidade de um lado e de outro. Me assusto.
Penso também no rumo que minha vida poderia ter tomado com a continuação de outros relacionamentos. E pensando nisso eu sempre me imagino com uma moça e me vejo velho antes da hora. Penso como seria estar com outra e me vejo castrado, infeliz. Tento ainda imaginar como teria sido com mais uma e me vejo alcoólatra. Com todas, me vejo superficial. Em todos os quadros, me vejo incompleto.
E ai, por menos religioso que eu seja, só tenho um pensamento: obrigado, Deus (seja lá você quem for). Obrigado por ter posto ela na minha vida. Obrigado por ela ter chegado cheia de calma, compreensão. Obrigado pela sobriedade, seriedade e solidariedade dela. Pelos ensinamentos que pude ter e tudo mais. Obrigado por ela me deixar mais seguro, mais sereno, mais completo.
Obrigado por ela.
Penso também no rumo que minha vida poderia ter tomado com a continuação de outros relacionamentos. E pensando nisso eu sempre me imagino com uma moça e me vejo velho antes da hora. Penso como seria estar com outra e me vejo castrado, infeliz. Tento ainda imaginar como teria sido com mais uma e me vejo alcoólatra. Com todas, me vejo superficial. Em todos os quadros, me vejo incompleto.
E ai, por menos religioso que eu seja, só tenho um pensamento: obrigado, Deus (seja lá você quem for). Obrigado por ter posto ela na minha vida. Obrigado por ela ter chegado cheia de calma, compreensão. Obrigado pela sobriedade, seriedade e solidariedade dela. Pelos ensinamentos que pude ter e tudo mais. Obrigado por ela me deixar mais seguro, mais sereno, mais completo.
Obrigado por ela.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Crônica de uma traição conveniente
Na academia, ela me olha. Com uma laicra indecente, força de vontade e muita sensualidade. Ela é casada. Muito bem casada, segundo dizem por ai. Mas, na verdade, após alguns anos de união ninguém é completamente bem casado. Sempre haverão segredos.
O amor só é bom no cinema. Na vida, só é bom se doer. Mas casamento e amor muitas das vezes não tem nada a ver com sexo. Tornam-se coisas distintas, incapazes de mistura ou influência mútua. Você pode ser casado sem amar e muito menos fazer sexo. Pode fazer sexo sem amar ou ser casado. Ou pode amar sem fazer sexo ou colocar aliança no dedo. Tudo pode, se é que me entendem...
Enfim, lá vem ela. Passa por mim. E me vem o sinal. Canto de olho. Um olhar curioso, depois um sorriso provocante. Um belo indicador de que ali há uma curva para perdição. Eu viro, entro e acelero. Chamo para um papo. Direto, sem cerimônia, nem conquista. Afinal, não temos o que conquistar. Somos casados e pronto. Essa é a condição. Conversa vai, conversa vem, conversa quente.
- Vai fazer a hidro hoje? - pergunto
- Vou.
- E que a horas acaba?
- 10 da noite. Tarde, né?
- Ou cedo. Depende do que a gente queira fazer. Posso, discretamente, assistir a sua aula?
- rsrsrs. O que você quer de mim, hein?
Às 21h30 eu lá estava. Nadando na raia próxima, acompanhando aquelas pernas irem e voltarem debaixa d´água. Às 10 em ponto, ela finalizou os exercícios, mas resolveu nadar um pouco também. Não entendi (ou entendi) porque, mas aprovei, claro, e continuei.
Em 15 minutos, estávamos a sós. A luzes ainda acesas a espera do tratador e vigia. Ela saiu da piscina. Linda, cabelos longos, castanhos. E aquele andar... que andar! Subi também. Fui ao vestiário. Errei a porta e entrei no feminino. E lá estava a moça, inteiramente linda, brilhante.
Silenciosos, sorrimos e nos beijamos. Demoradamente, ardentemente e ilegalmente, nos beijamos. Ali ficamos por mais de 20 minutos. Apertados a mais pura vontade de transar. Simplesmente, trasar. Sem amor, nem pressão. Apenas uma leve e boa preocupação.
Após isso, um até logo e a sensação de praticamente nada mudou em nossas vidas. Só ganhamos alguns instantes a mais de diversão.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Riqueza
Por muito tempo eu busquei dinheiro. Por muito tempo eu quis ter mais e mais coisas. Na maior parte da vida eu fui feliz quando tinha algo novo, quando consumia, quando me tornava dono.
Queria riqueza, queria tesouros, queria luxo. Mas não queria a mim. Não queria ninguém. E aí veio você. Parecia que seria mais uma. Parecia que ia ser só consumo. Parecia que ia chegar e ir embora como as outras. Mas você ficou e eu gostei. Eu vi que tinha algo além do trabalho, do dinheiro e da ostentação.
Eu vi que tinha amor. E minha riqueza mudou. Virou sentimento. Desejo. Paixão. Tesão. Você. Acho que se fosse possível, te compraria. À vista e sem desconto. Porque você vale muito mais do que parece. Porque estar com você não tem dinheiro que pague. Não tem joia que brilhe mais que teus olhos.
E tudo mais que eu tenho ficou pra segundo plano. Ficou de lado. A bolsa de valores da minha vida agora só quer saber das suas ações. Meu cofre quer guardar teu coração. Hoje, você é meu tesouro. Você é minha riqueza. No fim do arco-íris, meu pote de ouro é você.
Queria riqueza, queria tesouros, queria luxo. Mas não queria a mim. Não queria ninguém. E aí veio você. Parecia que seria mais uma. Parecia que ia ser só consumo. Parecia que ia chegar e ir embora como as outras. Mas você ficou e eu gostei. Eu vi que tinha algo além do trabalho, do dinheiro e da ostentação.
Eu vi que tinha amor. E minha riqueza mudou. Virou sentimento. Desejo. Paixão. Tesão. Você. Acho que se fosse possível, te compraria. À vista e sem desconto. Porque você vale muito mais do que parece. Porque estar com você não tem dinheiro que pague. Não tem joia que brilhe mais que teus olhos.
E tudo mais que eu tenho ficou pra segundo plano. Ficou de lado. A bolsa de valores da minha vida agora só quer saber das suas ações. Meu cofre quer guardar teu coração. Hoje, você é meu tesouro. Você é minha riqueza. No fim do arco-íris, meu pote de ouro é você.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
E agora que a festa acabou, meu camarada?

Você está há uma semana solteiro após o término de um relacionamento de quatro anos. Numa festa, vai ao bar comprar uma cerveja e lá está ela. Mais bonita do que quando você a deixou. Acompanhada. Quem é o cara? Xis. O frio vai tomando a barriga. Seu sorriso fica amarelo. Lá vem o suor. Reintegrado ao grupo e com a cerveja na mão, você não consegue ouvir nada. Apenas levar a cerveja à boca em um ritmo anormal. Ela passa à sua frente. Finge que não o vê. Está de mãos dadas. Anda e para no meio da pista de dança. Sorri para o acompanhante e, mexendo o corpo com cara de feliz, o beija. Você olha aquilo. A garganta trava. Permanece ali uns 15 minutos, inventa uma desculpa e vai embora. Cai na cama. Irreconhecível.
Essa situação é comum entre os marmanjos. Em relacionamento, arrependimento é mais coisa de homem. As mulheres têm uma capacidade de avaliação bem mais apurada que nós. Se só imaginam que podem se arrepender, pensam, pensam, pensam e só decidem quando estão certas de que o problema é superável sem grandes transtornos.
Nós, homens, não. Somos como animais iludidos. Se a galera toda está solteira, por exemplo, na farra, logo nos sentimos tentados a cair na gandaia. Uma vez certos de que aquele vidão de noite em noite é que é bom, começamos a detonar uma rotina até então tranquila de um relacionamento. Queremos sair mais do que de costume, reclamamos das cobranças mais do que deveríamos e assim abrimos uma crise.
Nossa mente gera, então, uma ideia de que namorar é estar preso. Aquilo se intensifica a medida que se comenta aquele sentimento com os amigos. "É isso mesmo! Não deixe que ela tire a sua vida. Somos novos!", incentiva o amigão. Aquela ideia vira fixação. Em pouco tempo, você está na frente dela dizendo que não aguenta mais, que está se sentindo muito preso e etc e tal. Pede um tempo e vai embora. Tempo? Isso mesmo. Como somos muito inteligentes, escolhemos o "tempo" porque ainda se deixa uma esperançazinha e evita que ela chute o balde de uma vez ou viva na farra também.
Mas, nós, claro, caímos na farra. Bebida, azaração com a galera, liberdade! Ela nunca vai saber mesmo. Afinal, a coitada está em casa, chorando. Mas como a gente não é besta nem nada, damos uma ligadinha de vez em quando pra dizer que estamos com saudades e que o tal "tempo" vai ajudar na busca da felicidade do casal. Na segunda semana, porém, ela começa a se indignar. Já soube que você vive na farra.
Como era questão de tempo, acaba descobrindo sua ficada com uma periguete qualquer. Ai danou-se. A raiva vira decepção. E, ao contrário dos homens, elas sentem desgosto e não ciúmes. É como se ficássemos mais sujos e nojentos após uma pegada aqui outra acolá. Isso destrói o encantamento que existiu nos últimos quatro anos. Ai, bau, bau.
Quando ela resolve aparecer com outro, já era. Você pode até tentar, voltar, chorar, pedir perdão, prometer a Deus e mundo que jamais fará coisa parecida, mas já foi. A ilusão lhe tirou uma ótima e tranquila companhia. Agora terá que encontrar outra. Na farra ou em qualquer lugar.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Sem empréstimo
Como assim, menina? Você vem, agora, me pedir emprestada a coleção de vinis do Chico como se não fosse nada? Depois de tanto tempo sumida você reaparece pra pedir um favor, nas suas palavras, “bobo” e não se dá nem ao trabalho de explicar o que aconteceu? Por onde você andou nos últimos 2 anos? Quer meus discos do Chico pra quê? Vai ouvir com quem?
Não, mocinha. Não é assim. Você não pode achar que vai voltar depois de ter me deixado sem nenhuma notícia sua e voltar a viver as coisas como eram antes. Tu não tem mais o prestígio que tinha. Não mesmo. A chave da porta mudou e você não entra mais sozinha pra poder revirar meus armários e prateleiras e levar o que quiser. Mesmo com a promessa de devolver rapidinho.
Eu não te empresto mais nada. Não tem coletânea de Chico, não tem antologia do Bandeira, não tem DVD do Poderoso Chefão. Não te empresto nem mesmo uma camisa pra você usar na manhã seguinte. Nem um filtro de papel pra você ir fazer café em casa. Não te empresto, nem dou mais nada. Principalmente porque você sumiu e até hoje não devolveu meu coração.
Não, mocinha. Não é assim. Você não pode achar que vai voltar depois de ter me deixado sem nenhuma notícia sua e voltar a viver as coisas como eram antes. Tu não tem mais o prestígio que tinha. Não mesmo. A chave da porta mudou e você não entra mais sozinha pra poder revirar meus armários e prateleiras e levar o que quiser. Mesmo com a promessa de devolver rapidinho.
Eu não te empresto mais nada. Não tem coletânea de Chico, não tem antologia do Bandeira, não tem DVD do Poderoso Chefão. Não te empresto nem mesmo uma camisa pra você usar na manhã seguinte. Nem um filtro de papel pra você ir fazer café em casa. Não te empresto, nem dou mais nada. Principalmente porque você sumiu e até hoje não devolveu meu coração.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Para o ano novo
Eu não tenho grandes planos. Não pensei em nenhum pedido pra fazer quando pular as sete ondas, ou quando comer a colher de lentilha. Aliás, eu nem acredito nessas superstições. O que eu quero mesmo é que as coisas entre nós não mudem. Será que posso pedir isso?
Pedir pra continuar ao teu lado nas horas boas e ruins – na alegria e na tristeza, na saúde e na doença... e todo aquele papo que o padre ainda não nos disse, mas quem sabe a gente não para pra ouvir isso nesse novo ano? Ou no próximo. Isso não importa, contanto que você esteja aqui. Fosse só por isso, eu mesmo poderia te dizer essas palavras na hora em que você quisesse ouvir. Quer agora? Eu te prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te... não é assim?
Eu quero mesmo é continuar acordando com você, nem que seja só aos finais de semana. Nem que seja só um a cada mês. Nem que seja pra te levar pra casa antes do café ou pra ficar de preguiça e levantar já na hora do almoço.
Eu quero receber mais mensagens de bom dia. Quero continuar comprando teu chocolate preferido. Quero te embebedar pra você acordar de ressaca no dia seguinte e eu poder cuidar de você. Quero viajar. Quero comer. Quero sonhar. Pode pedir essas coisas?
Posso pedir pra continuar te desejando todo dia? Posso pedir pra ter um ano cheio de mensagens safadas no e-mail? Posso pedir pra gente brigar, ficar emburrado, mas depois se entender e dar risada juntos?
Por que é isso que quero. Quero você. Quero que as coisas permaneçam, mas que cresçam. Que a gente continue, mas que continue sempre pra frente. E quero te amar. Aqui, aí, lá longe, ao vento, debaixo da chuva, sem luz. Quero tua risada, teu dengo, teu carinho. Te quero rica, pobre, triste, feliz. Não interessa. Contanto que seja você. Posso querer isso pro ano que começa?
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Cartão de Natal
Coração fechado,
Você sabe que não acredito em frases radicais do tipo “nada é para sempre”. Também não sou ingênuo para acreditar que todos os seres humanos são puros. Mas mesmo com essa impureza, uma característica deve ou deveria ser sentida para sempre: gratidão e reconhecimento.
Acredito, sim, no tal “não cuspa no prato que comeu”. O famoso dito não serve apenas para relacionamentos. Serve para que você não saia falando mal da sua amiga, chamando ela de gorda – quando na verdade o seu sonho era entrar nas calças que ela entra – porque discutiu, por algum motivo imbecil, com ela. Não tente humilhar seu irmão porque ele fez alguma coisa que você não gostou. E, logicamente, também vale para namoros, casamentos e afins. Não queira jogar em cima de mim uma culpa que é única e exclusivamente sua. A terapia está aí, por que você não tenta?
Quando uma relação se esgota, mesmo que não tenha sido você a motivadora do fim, não fale mal do seu passado. Certamente muitas alegrias ele te deu. Você é hoje o que aprendeu dele. Mas a cada dia vemos mais e mais o contrário. As pessoas renegam o que viveram. Destroem-se, destroem o coração e a dignidade de seu parceiro. E depois ela sai por aí dizendo que a culpa do fim foi o fato dele ter feito alguma besteira. A morte de Tiradentes revivida no amor. Atira no ex e sai jogando seus restos mortais para o resto da população.
O ano está acabando e, como sempre, é importante colocar na balança os feitos positivos e os negativos. Valorize sempre as coisas positivas. Amizades fortes que só dependem de ti para serem duradouras. Uma conversa franca com sua mãe, pai, irmão, avô. Os momentos de risadas, de prazeres, de conhecimento.
E aprenda com as coisas ruins. Por favor, aprenda. Não volte a errar o que você está errando agora. O que você errou comigo. Particularmente, aprendi muito este ano. O maior ensinamento que recebi foi: "Não adianta amar quem não quer, nem merece, ser amado". Perda de tempo. Apenas isso. Então não volte a parecer disponível para os outros enquanto você está indisponível para você mesma. Não se iluda com a ideia de que é amada por alguém quando nem você mesma se ama.
Para terminar, digo que é importante planejar o seu próximo ano. Ponha no papel todos os feitos que você quer realizar. Suas metas, seus sonhos. Mas não se esqueça de pensar no que fará assim que acabar de ler este texto. O agora é a mão que abre a porta do amanhã. De que adianta focar apenas na próxima temporada, se a qualquer segundo pode ocorrer um fato novo que mude sua vida? Esteja preparada.
Feliz Natal. Feliz Ano Novo. Boa sorte.
Você sabe que não acredito em frases radicais do tipo “nada é para sempre”. Também não sou ingênuo para acreditar que todos os seres humanos são puros. Mas mesmo com essa impureza, uma característica deve ou deveria ser sentida para sempre: gratidão e reconhecimento.
Acredito, sim, no tal “não cuspa no prato que comeu”. O famoso dito não serve apenas para relacionamentos. Serve para que você não saia falando mal da sua amiga, chamando ela de gorda – quando na verdade o seu sonho era entrar nas calças que ela entra – porque discutiu, por algum motivo imbecil, com ela. Não tente humilhar seu irmão porque ele fez alguma coisa que você não gostou. E, logicamente, também vale para namoros, casamentos e afins. Não queira jogar em cima de mim uma culpa que é única e exclusivamente sua. A terapia está aí, por que você não tenta?
Quando uma relação se esgota, mesmo que não tenha sido você a motivadora do fim, não fale mal do seu passado. Certamente muitas alegrias ele te deu. Você é hoje o que aprendeu dele. Mas a cada dia vemos mais e mais o contrário. As pessoas renegam o que viveram. Destroem-se, destroem o coração e a dignidade de seu parceiro. E depois ela sai por aí dizendo que a culpa do fim foi o fato dele ter feito alguma besteira. A morte de Tiradentes revivida no amor. Atira no ex e sai jogando seus restos mortais para o resto da população.
O ano está acabando e, como sempre, é importante colocar na balança os feitos positivos e os negativos. Valorize sempre as coisas positivas. Amizades fortes que só dependem de ti para serem duradouras. Uma conversa franca com sua mãe, pai, irmão, avô. Os momentos de risadas, de prazeres, de conhecimento.
E aprenda com as coisas ruins. Por favor, aprenda. Não volte a errar o que você está errando agora. O que você errou comigo. Particularmente, aprendi muito este ano. O maior ensinamento que recebi foi: "Não adianta amar quem não quer, nem merece, ser amado". Perda de tempo. Apenas isso. Então não volte a parecer disponível para os outros enquanto você está indisponível para você mesma. Não se iluda com a ideia de que é amada por alguém quando nem você mesma se ama.
Para terminar, digo que é importante planejar o seu próximo ano. Ponha no papel todos os feitos que você quer realizar. Suas metas, seus sonhos. Mas não se esqueça de pensar no que fará assim que acabar de ler este texto. O agora é a mão que abre a porta do amanhã. De que adianta focar apenas na próxima temporada, se a qualquer segundo pode ocorrer um fato novo que mude sua vida? Esteja preparada.
Feliz Natal. Feliz Ano Novo. Boa sorte.
De um coração partido
domingo, 18 de dezembro de 2011
Carta de (des) amor II
Fernanda,
Eu to cagando pro seu papel bonito e perfumado. Igual a esse eu tenho uma dúzia de rolos no banheiro que me servem pra limpar a bunda.
Sua história? É isso que você quer? Sua história é a de uma menininha burra que nunca tinha saído do mundinho de proteção que os pais criaram. A de uma menina sem vida, sem conhecimento, sem vivência. A virgenzinha que sonhava em casar com o príncipe encantado, ter filhos e cuidar da casa até morrer. Essa ERA a sua história até eu aparecer e te mostrar a vida.
Não fosse por mim você estaria casada com algum daqueles merdas de vizinho que sua mãe tem e vive achando que são os homens ideais pra sua vida. Não fosse eu você teria perdido a virgindade no escuro, com um barrigudo de meia social preta que teria bombado até gozar e saído de você. E você acharia até hoje que isso é sexo. Ou melhor, acharia que isso é amor. Essa é a sua história, “Fê”!
Não fosse eu você não teria estudado, não teria aprendido idiomas, não teria viajado o mundo. Não fosse eu você não teria comprado um carro, não teria um diploma, não teria sonhos. E agora você vem com esse papo de viver a SUA vida?
Quais são os seus desejos? Por que nunca os dividiu comigo? Por que fingiu por tanto tempo que estava tudo bem? Por que aceitou tão passivamente as minhas opiniões e certezas? Não era pra ser assim. Eu sempre te quis independente, mas me parece que você não entendeu assim. Você se livrou da cidade interiorana, mas a cidade interiorana não se livrou de você, né? Seu pensamento mínimo ainda está aí, cravado na sua cabeça. E eu só posso sentir pena.
Os meus sonhos são realmente meus. Os meus sonhos são o que busco realizar. Você estava encaixada em vários deles. Outros muitos foram sonhados pra você. Mas há tempos parece que você se colocou fora de tudo. Dos meus, dos seus e dos nossos sonhos, planos e vidas. E agora quer dizer que vai viver? Viver o quê? Duvido que você dê conta de alugar um apartamento. Até pensei que sim, mas depois disso tudo, duvido.
Mas você que se foda. Você que se vire. Você que busque seja qual for a merda que tiver na cabeça. Eu não to nem aí. Vou é viver minha vida patética com a piranha que acha que sou rico, bonito e poderoso. Ela, pelo menos, não se priva de dizer o que pensa olhando na minha cara.
Boa sorte. Mas quando quebrar a cara no mundo, por favor, não volte chorando. A porta não vai estar aberta.
PS: cheire esta carta. Esfreguei a bunda nela.
Eu to cagando pro seu papel bonito e perfumado. Igual a esse eu tenho uma dúzia de rolos no banheiro que me servem pra limpar a bunda.
Sua história? É isso que você quer? Sua história é a de uma menininha burra que nunca tinha saído do mundinho de proteção que os pais criaram. A de uma menina sem vida, sem conhecimento, sem vivência. A virgenzinha que sonhava em casar com o príncipe encantado, ter filhos e cuidar da casa até morrer. Essa ERA a sua história até eu aparecer e te mostrar a vida.
Não fosse por mim você estaria casada com algum daqueles merdas de vizinho que sua mãe tem e vive achando que são os homens ideais pra sua vida. Não fosse eu você teria perdido a virgindade no escuro, com um barrigudo de meia social preta que teria bombado até gozar e saído de você. E você acharia até hoje que isso é sexo. Ou melhor, acharia que isso é amor. Essa é a sua história, “Fê”!
Não fosse eu você não teria estudado, não teria aprendido idiomas, não teria viajado o mundo. Não fosse eu você não teria comprado um carro, não teria um diploma, não teria sonhos. E agora você vem com esse papo de viver a SUA vida?
Quais são os seus desejos? Por que nunca os dividiu comigo? Por que fingiu por tanto tempo que estava tudo bem? Por que aceitou tão passivamente as minhas opiniões e certezas? Não era pra ser assim. Eu sempre te quis independente, mas me parece que você não entendeu assim. Você se livrou da cidade interiorana, mas a cidade interiorana não se livrou de você, né? Seu pensamento mínimo ainda está aí, cravado na sua cabeça. E eu só posso sentir pena.
Os meus sonhos são realmente meus. Os meus sonhos são o que busco realizar. Você estava encaixada em vários deles. Outros muitos foram sonhados pra você. Mas há tempos parece que você se colocou fora de tudo. Dos meus, dos seus e dos nossos sonhos, planos e vidas. E agora quer dizer que vai viver? Viver o quê? Duvido que você dê conta de alugar um apartamento. Até pensei que sim, mas depois disso tudo, duvido.
Mas você que se foda. Você que se vire. Você que busque seja qual for a merda que tiver na cabeça. Eu não to nem aí. Vou é viver minha vida patética com a piranha que acha que sou rico, bonito e poderoso. Ela, pelo menos, não se priva de dizer o que pensa olhando na minha cara.
Boa sorte. Mas quando quebrar a cara no mundo, por favor, não volte chorando. A porta não vai estar aberta.
PS: cheire esta carta. Esfreguei a bunda nela.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Carta de (des) amor
Pedro,
Me desculpe se, pelo envelope bonitinho e a folha perfumada, você está pensando que essa será mais uma das minhas cartinhas de amor para você. Não é. E já te aviso logo porque não há o menor problema se você quiser parar de ler por aqui. O recado já está dado: não é uma carta de amor, sim de despedida.
Se você partiu para esse segundo parágrafo só posso dizer uma coisa: agora é por sua conta e risco.
Estou indo embora, Pedro. Estou deixando você para não deixar a mim mesma. Estou buscando uma vida longe da sua, para poder ter a minha própria. Minha história já que não podemos ter a nossa.
Entenda que eu sou uma mulher com desejos, sentimentos e opiniões. Entenda que todos os seres humanos são assim. Quem sabe partindo deste princípio você deixe de querer ter sempre a opinião correta, verdadeira, definitiva e passe a ouvir os outros. Passe a acatar os conselhos que lhe dão. Passe a ceder um pouco e realize os desejos de outros que não são os seus.
Estou indo embora, Pedro e, desta vez, é para nunca mais voltar. Compre um espelho novo, olhe para sua cara e perceba quão patético você é. Um choque de realidade não te fará mal. Só você acha que é tão poderoso, rico e bonito quanto você pensa. Quer dizer, você e aquela piranha com quem você anda saindo, achando que me enganava. Outra coitada enganada. Acha mesmo que você é rico.
E você um completo idiota. Que não sabe que ela só está interessada no seu suposto dinheiro e quando não está com você sai por aí com muitos outros. Esses, ricos de verdade. Realize, Pedro. Sua vida é um fracasso.
Tchau. Não me procure, não me ligue, não queira saber de mim. Não há nada mais aqui que eu possa te oferecer. E nem que tivesse. Seja feliz com sua vida patética. Realize seus sonhos sozinho, afinal, eles são seus. Nunca foram nossos. E morra sozinho também.
PS: deixe de ser ridículo e pare de cheirar essa carta. O perfume não é meu. É da piranha. Eu nunca usaria coisa tão barata e doce.
Me desculpe se, pelo envelope bonitinho e a folha perfumada, você está pensando que essa será mais uma das minhas cartinhas de amor para você. Não é. E já te aviso logo porque não há o menor problema se você quiser parar de ler por aqui. O recado já está dado: não é uma carta de amor, sim de despedida.
Se você partiu para esse segundo parágrafo só posso dizer uma coisa: agora é por sua conta e risco.
Estou indo embora, Pedro. Estou deixando você para não deixar a mim mesma. Estou buscando uma vida longe da sua, para poder ter a minha própria. Minha história já que não podemos ter a nossa.
Entenda que eu sou uma mulher com desejos, sentimentos e opiniões. Entenda que todos os seres humanos são assim. Quem sabe partindo deste princípio você deixe de querer ter sempre a opinião correta, verdadeira, definitiva e passe a ouvir os outros. Passe a acatar os conselhos que lhe dão. Passe a ceder um pouco e realize os desejos de outros que não são os seus.
Estou indo embora, Pedro e, desta vez, é para nunca mais voltar. Compre um espelho novo, olhe para sua cara e perceba quão patético você é. Um choque de realidade não te fará mal. Só você acha que é tão poderoso, rico e bonito quanto você pensa. Quer dizer, você e aquela piranha com quem você anda saindo, achando que me enganava. Outra coitada enganada. Acha mesmo que você é rico.
E você um completo idiota. Que não sabe que ela só está interessada no seu suposto dinheiro e quando não está com você sai por aí com muitos outros. Esses, ricos de verdade. Realize, Pedro. Sua vida é um fracasso.
Tchau. Não me procure, não me ligue, não queira saber de mim. Não há nada mais aqui que eu possa te oferecer. E nem que tivesse. Seja feliz com sua vida patética. Realize seus sonhos sozinho, afinal, eles são seus. Nunca foram nossos. E morra sozinho também.
Fernanda
PS: deixe de ser ridículo e pare de cheirar essa carta. O perfume não é meu. É da piranha. Eu nunca usaria coisa tão barata e doce.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Os sonhos são seus
Olha, eu estava aqui na minha. Quieto. Foi você quem chegou falando um monte de coisas. Foi você quem me tirou da minha serenidade e dos meus objetivos. Meus planos eram outros. Inclusive, apaixonar-se não estava entre eles. Mas você chegou. E me ganhou.
Mas os sonhos são seus. Eu nunca quis conhecer o Pantanal. Aliás, nem de mato eu gosto. Quem trouxe promessas e delírios foi você. Quem imaginou um futuro pra nós dois foi você. Eu embarquei, sim. Eu me deixei levar. Fui na inércia do calor da paixão. Fui acompanhando o curso do rio que leva teu nome.
Mas sabe, lá atrás, quando apaixonar-se não era uma opção, eu tinha outras opções. Eu queria estudar. Eu queria fazer um filme. Queria dançar e cantar no videokê do boteco da Dona Marta. Quando você apareceu eu só queria um cafuné e não toda a carga de possibilidades e planos que você me deu.
Eu não quero escolher as férias do próximo verão. Eu não quero optar entre caramelo ou cereja. Não estou nem aí se o sofá será de dois ou três lugares. Só quero voltar àqueles sonhos que eu tinha no começo.
E entre eles, desculpe, estava fazer um filme. Um filme sem mocinho. Não tinha príncipe encantado. Não tinha viveram felizes para sempre. Esses sonhos são seus. Vá vivê-los, mas não espere por mim.
Mas os sonhos são seus. Eu nunca quis conhecer o Pantanal. Aliás, nem de mato eu gosto. Quem trouxe promessas e delírios foi você. Quem imaginou um futuro pra nós dois foi você. Eu embarquei, sim. Eu me deixei levar. Fui na inércia do calor da paixão. Fui acompanhando o curso do rio que leva teu nome.
Mas sabe, lá atrás, quando apaixonar-se não era uma opção, eu tinha outras opções. Eu queria estudar. Eu queria fazer um filme. Queria dançar e cantar no videokê do boteco da Dona Marta. Quando você apareceu eu só queria um cafuné e não toda a carga de possibilidades e planos que você me deu.
Eu não quero escolher as férias do próximo verão. Eu não quero optar entre caramelo ou cereja. Não estou nem aí se o sofá será de dois ou três lugares. Só quero voltar àqueles sonhos que eu tinha no começo.
E entre eles, desculpe, estava fazer um filme. Um filme sem mocinho. Não tinha príncipe encantado. Não tinha viveram felizes para sempre. Esses sonhos são seus. Vá vivê-los, mas não espere por mim.
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