A vida é feita de histórias. Boas e ruins. Surpreendentes ou não. Você nunca estará livre de histórias marcantes.
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Te amo. E pronto.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Quando?
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Na primeira noite. Por que não?

Quanto mais eu cresço, amadureço, mais dúvidas sobre as mulheres tenho. É como um exercício de, digamos, enxugar gelo, lavar carro com palha de aço ou simplesmente discutir indignado (já experimentou bater boca sem sentir raiva? É quase poético). Pois bem. Matutar sobre as razões feminianas me lembra o velho ditado: quanto mais mexe, mais fede.
Eu, por exemplo, sempre tive tenebrosas dúvidas da relação entre as mulheres e a primeira noite. Ou melhor, a entrega na primeira noite. Por que umas dão de prima e outras não? Com qual intenção uma jovem atraente pra lá de vinte e tantos anos, suada de tanto dançar e beijar, lhe diz: "Rum. Danadinho. Vamos devagar. Na primeira noite, não. Ainda é cedo."?
Simples mais seria, como diria o sábio Yoda, mestre dos Jedis e da gramática alternativa, se a nobre e precavida dama dissesse: "Olha, menino tarado, eu vou te dar. Mas na primeira noite, não. Primeiro você precisa ficar com mais vontade. Eu vou fazer umas carinhas sexy aqui e te deixar pegar ali. Mas só isso. Amanhã você me liga, me chama pra jantar, a gente bebe um vinho e depois eu lhe dou, okay?".
"Tem piriiiigo", diria o velho baitola da terra de Didi Mocó. Sinceridade tem limite, né não?
Até tem. Mas existem relações mais sinceramente prazerosas que outras. Eu, por exemplo, tenho uma amiga que mais parece a "Deusa Práxis" de tão prática para as coisas do coração que a moça é. Aprendeu com a mãe.
Desde a época em que ainda chamavam bullying de "brincadeira besta", a mãe desse achado humano, experiente e segura representante do comportamento feminístico, dizia: "Minha filha, se você gostar dele, não dê na primeira noite!". Ou seja, dê se não houver significado, se não der "liga", dê por esporte ou por puro impulso. Por amor, não dê.
Paradoxalmente genial. Besta somos nós. Homens fantasiados de onipotentes. Quando pensamos que a joia da noite está no papo, ela já foi embora antes de chegar.
Digo eu por isso: nunca subestime as mulheres. Nem tente desvendá-las. Ser enigmática é a principal característica. E no fundo no fundo, é disso que os homens gostam.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Promessas
Confesso que fiz muitas promessas impossíveis de cumprir, como aquela viagem às Ilhas Gregas de navio. Só eu e você, com tudo por minha conta. Ir todo ano pra São Paulo passar o réveillon na casa do teu tio rico e esnobe. Coisas que eu sabia que não cumpriria, mas que te fariam bem se eu prometesse. E me faria melhor ainda, por não te ver triste.
E agora faço nova promessa: vou te esquecer! Prometo que não te amarei mais, que não terei saudade dos teus pés gelados se esquentando nos meus ao deitar. Prometo que não sentirei falta das tuas inúmeras ligações ao longo do dia e nem dos teus chiliques quando eu me atrasava pras festas da tua mãe.
Prometo encontrar outro café tão bom quanto o teu. Prometo achar uma nova cobaia para os drinks que eu invento. Prometo guardar todas as fotos, cartas e recordações em caixas e queimá-las na fogueira de junho. Prometo apagar teus e-mails.Prometo até iniciar a dieta na segunda feira.
Prometo, inclusive, não cumprir nada disso só pra continuar sendo o cara por quem você se apaixonou.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Dois Sentidos
Já brincamos muito com isso fazendo jogos de palavras. Não esqueço nunca do dia em que você roubou um manequim da loja do seu pai só pra me jogar um braço quando te pedi “uma mãozinha” pra terminar o arroz. Ou o dia que você me ligou no meio da tarde, dizendo que estava em casa e que tinha perdido a cabeça. Eu larguei tudo no escritório e te encontrei às gargalhadas na cama, com o manequim decapitado ao seu lado. “Perdi!”, você disse entre uma e outra risada.
Macaco, que pode ser o animal ou a ferramenta que ajuda a trocar pneu. Carta, que você – paulista – usa para carteira de motorista e eu uso para o texto que enviamos a alguém via correio. Fogo, aquele que queima ou aquele que você não me nega nunca. Pau, que pode ser um pedaço de madeira ou... Enfim, você sabe. Você me conhece bem.
O triste de tudo isso é que até agora eu pensava que amor só podia ter um significado. Esse entre nós. Esse que esteve aí durante os últimos anos. O significado de querer estar junto, de compartilhar, de fazer amor, de contar as novidades.
Mas sabe? Eu descobri que não. Tem outro significado. Não sei explicar qual é. Mas, me parece que eu não quero mais tudo aquilo do outro significado, aquele das coisas boas. Parece que não quero mais você. Mesmo assim, eu sei que te amo. Não sei se de uma nova maneira, com um novo significado... Explica essa? Tem como ter esse duplo sentido?
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Indiferença dói
Mas encontrar com você é que me mata. Estar ao seu lado e você fingir que não me conhece. Que não sabe quem eu sou. Ignorar todos os anos que ficamos juntos, fingir esquecer os lugares que visitamos, as situações que vivemos e os planos que traçamos. Isso me dói. Sua indiferença me dói.
Pior ainda é quando você me chama pra bater papo no MSN. Como se não tivesse me visto na rua. E cita coisas que fez com outros, como se nunca tivesse feito aquilo comigo. Quando cito fatos da minha (nossa) vida e você diz não se lembrar. Isso é o que me mata por dentro. É o que me consome e faz enlouquecer. Só queria teu respeito. Só queria que levasse em consideração o homem que fui para você.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Ensaio sobre a frescura masculina

Um brinde à frieza humana. Craseada mesmo! Viva o “tô-nem-ai-pra-você-meu-rapaz”. E o melhor: salve o “deixa-de-frescura-moleque”! Por aqui, “onde-os-fracos-não-tem-vez”, mais vale o silêncio do que a publicidade espontânea do nosso frágil coraçãozinho de homem. Eis o momento fúnebre da humilhação humana: quando o macho chora e pergunta: “Por quê? Por quê? Por que?”.
Você, homenzarrão de coração frouxo, jamais repita isso. Por quê? Uma vez basta. Lá nos tempos do colegial. E chega. Ensino médio, como se diz hoje, ainda vale. Época de aprendizado, de criar casca, de chorar o leite derramado. Depois disso, sinta-se graduado. Beba-o do chão mesmo! E poupe as danadas das ceninhas chorosas.
Alguém ai já levou um inesquecível pé-na-bunda? Eu já. Façamos, então, bom proveito.
Porque nada muda uma decisão feminina. Elas são como aroeiras-do-sertão, árvores belas, de pés no chão. Balançam, envergam, choram, emudecem, brigam, gritam, escurecem, desaparecem. Mas nada por completo. Elas sempre voltam. Mais fortes, mais lindas, mais sorridentes, mais bundudas, mais saradas, mais charmosas, mais tesudas, mais amigas... enfim! Mais mulheres.
E nós? Poupemo-nos da derrota. Mantenhamos o jeitão de homem. Macho mesmo. Tradicionalismo com aquela modernidade intelectual ainda funciona. Saber decidir é fundamental. Diga sim e diga não. "Você-é-que-sabe" é para os fracos. Para elas, entreguemos o mistério. Mistério é alimento para o amor. Daremos a elas o combustível da dúvida. Sobre tudo, se possível.
Mas, em tempo: homem que é homem respeita sua dama. Protege-a como um King-Kong cabrêro. Lança olhares vermelhos aos gaviões ameaçadores. E pula em seus pescoços quando necessário. Homem que é homem ama. E declama também. Acaricia e pega. Pega com jeito. Marca pele e coração.
No fim, homem também aprende a ser largado e se respeita. Os verdadeiros não são frescos, nem fracos. Homem sofre. Mas não esperneia. Silencia, cala. E espera. Afinal, homem que é homem admite a derrota. E a deixa partir.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Cotidiano de amor
Eu leio teu horóscopo juntando as melhores coisas de todos os signos que é pra você ficar tranquila. O bom momento no trabalho de Libra, a oportunidade de viagens de Leão, a capacidade de reflexão para a família de Sagitário – devido ao alinhamento da lua em Áries. Tudo isso vai lhe cair bem porque, afinal, você é geminiana. Então, é muitas em uma só. E também porque você diz que acredita em astrologia, mas no fundo sabe que isso é tudo baboseira de jornal. Teu número da sorte vai ser o tempo exato dos dias que estamos juntos. Mas a tua cor do dia vai ser vermelha, sempre. Porque é assim que gosto de ti. Radiante escarlate.
Senta aqui e toma teu café com calma, enquanto eu canto uma musica da Adele no teu ouvido e finjo rebolar feito um Elvis Presley. Minha voz rouca não se compara a dela, mas sou eu quem sabe te fazer arrepiar logo cedo, ainda na primeira xícara. Mas é fato que minha fraca imitação é mais digna de risadas que de arrepios. Mas e daí? Você sempre foi mais bonita sorrindo mesmo.
Vem, senta aqui que eu te mostro quem é que te ama e que sabe fazer os melhores ovos cozidos com a gema mole que você já comeu. Vem que nosso dia a dia pode parecer bobo às vistas dos outros, mas só a gente sabe a alegria de dividir as pequenezas e não dar tanta bola às grandiosidades. Vem, porque você é a minha pequena favorita e se tu demorar eu acabo comendo o miolo do teu pão.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
A sobrevivência

Nem a mais perfeita das cronicidades poderia descrever tamanha complicação. Só quem vive a mercê das oscilações do corpo, da alma e da mente de uma mulher sabe o quanto paciência é raridade diante deste detestado e necessário ciclo mensal. É ela: a danada da TPM. Chegou, chegando! Com direito a enxaqueca e tudo.
Nessa hora, muita calma. Ou nessa calma, muita hora. Você vai precisar. Como dizem umas filósofas amigas: não seja mirim. Seja juvenil. Respire, conte até três. E trate de iniciar seu ciclo salvador.
De tanto ver minha paz surrada feito camisa de mendigo, desenvolvi a habilidade de estabelecer meu ciclo paralelo. Em busca da sobrevivência, da tranquilidade masculina. Quando a hora vai chegando, protejo meus afazeres, investigo e começo a estratégia de libertação. É a blindagem da reputação de macho.
Cineminha na segunda, amor? Bora fazer uma comidinha na terça pra relaxar? Um jantarzinho na quarta, depois do trabalho?
Isso não é só presença de espírito masculina. Repito: é questão de sobrevivência.
Pense: na quinta é dia de futebol. Depois da pelada, a resenha com os camaradas. Todos guerreiros da resistência. Vai querer perder? Nunquinha. Programação indispensável para o retilíneo andar da carruagem masculina. Serve como bisca na testa. Reaviva a memória e a macheza. Coloca nós, homens, criatura em extinção, de novo nos eixos. Re-no-va-ção do espírito.
A essa altura, a dona já cansou de se irritar com os outros e vai querer um momento de paz, descansar vendo Travel & Living ou A Grande Família. Nessa hora que você entra:
- Amor, tô indo pro futebol, tá? Se precisar de algo me liga que vou ai, ok?
E vá, com toda glória do espírito macho, rezando para seu celular não tocar. Para felicidade geral da nação, ele nunca toca.
E tome chope e papo furado!
A exceção é quando o tempo passa, você não vê e a uma da manhã a fera acorda do primeiro sono da noite.
- Estou pagando a conta, gata. Não se preocupe. Beijo! Tchau!
De manhã, noutro dia, matamos no peito a ressaca e mandamos a TPM pra escanteio. Missão cumprida. Ciclo fechado. Resistimos à semana da TPM (Tão Perdoadas, Moças). Madame satisfeita e nós inteiros.
No fim do dia, é hora de encher a cara. Agora, só mês que vem.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Antecipação da dor
Estamos bem hoje, eu sei. Mas a vida dá voltas. Amanhã pode ser que uma palavra fora de contexto, um telefonema não atendido, um encontro desmarcado ou, simplesmente, o encanto quebrado acabe com tudo. E aí ficarão estas palavras para evitarmos a chateação do adeus.
Porque o adeus acontece quase sempre da mesma forma. Mas dói mais quando é alongado, quando ficamos remoendo tudo o que aconteceu. Aposto como você iria resgatar o nosso primeiro encontro, o sorvete de tapioca, o banho de guaraná que você me deu, o salto da sandália quebrada, o meu medo de viajar de avião e a força que você segurava minha mão pra tentar me acalmar.
E eu ia relembrar do dia que o salto da sandália quebrou e eu te carreguei no colo por uns três metros, quase morrendo, e evidenciando que força e preparo físico não eram meu forte. Ia lembrar de como você ficou maravilhada quando te levei pela primeira vez ao Louvre. E principalmente, ia sentir no ar seu cheiro de banho tomado que você trazia ao deitar ao meu lado naquele tempo em que você trabalhava até tarde no café.
E eu juro que não precisamos disso. Se chegou a hora, o melhor é você seguir teu rumo. Eu vou ficando por aqui. Mas eu precisava me adiantar com isso e te explicar que te amo. Mesmo que você esteja me deixando. Eu te amo. Te amo como nunca amei nenhuma das outras – e eu não preciso reforçar que foram muitas já que você tratou de descobrir todas.
Te amo mesmo. Cada coisa, cada mania, cada defeito, cada palavra. Tudo seu se encaixa perfeitamente em mim. E eu queria que você soubesse isso agora. Ainda que seja tarde, mas é importante pra mim. Vai seguir tua vida. Mas saiba que aqui eu vou continuar te amando.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Quem diria
Quem, com toda certeza, apostaria na nossa vida a dois? Quem, depois de ouvir seu papo sobre “eu enjoo rápido dos meus namorados”, se empolgaria em investir nessa relação? Quem diria... você acordando ao meu lado, tomando café na cama e ficando de preguiça o resto da manhã entre papos absurdos e orgasmos idem?
A durona que não se entregava. A fodona que não se envolvia. Hoje está aqui ao meu lado e eu te chamando de Quem diria. Ainda bem que tu vieste, amor. Ainda bem que você queria. Ainda bem que eu já sabia. Ainda bem que eu te amo, Maria.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Como Fantasia
Transformo teus medos em virtudes, tuas dores em vitórias, tuas lágrimas em sangue e tuas derrotas em força. As baratas que matou na cozinha viram leões mortos a golpes de espada de prata na savana. Os impropérios que disse numa briga de trânsito soarão como ensinamentos de um mestre calmo e sábio.
Transformo tuas letras em palavras, palavras em frases, frases em períodos, períodos em parágrafos e parágrafos em lendas. Meu trabalho é este. Fantasiar tua vida. Dar a ela o sentido que você não conseguiu na realidade. Realizar teus sonhos, bater tuas metas.
Tuas conquistas serão heróicas, tua vida será rica, tuas idéias serão brilhantes e teus amores serão eternos. A admiração virá desde as primeiras páginas e todos, ao findar a leitura, dirão: quero ser como você.
Mas, sinceramente, ao te verem com estes olhos marejados, não haverá palavra que disfarce a saudades que sentes dela.
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Na memória dos bons sentimentos
Não que eu ache isso ruim, pelo contrário, acho interessante o fato de pensar que foi tudo tão esquisito e ao mesmo tempo ver que foi da melhor maneira que poderia acontecer. Lembrar que você não me dava muita bola, seu jeito durona de ser típico de leonina. E eu todo interessado, fazendo de tudo pra você me querer, sendo eu mesmo, mas dando ênfase nas qualidades, que eu não sou bobo de apontar meus próprios defeitos. Apesar de menino, já tinha lido “Arte da Guerra”. Sun Tzu tinha que servir para alguma coisa.
Mas valeu porque consegui te conquistar, eu acho. Nem que tenha sido por pouco tempo. Na verdade, às vezes penso que, talvez, você tenha me aceitado mais pelo esforço que fiz do que pelas qualidades propriamente ditas. Mesmo assim, me senti muito feliz. Era um reconhecimento.
Àquela época eu pensava ser você a coisa certa, quem me faltava. Ver seu sorriso era tudo que eu poderia querer. Pensava, imaginava, criava, inventava todas as possibilidades de uma vida eterna entre nós dois. E de repente o encanto se desfez.
Por um bom tempo fiquei sem saber como viver sem você. Sofri, chorei. Mas passou e hoje entendo que você era, sim, o melhor na minha vida naquele momento. Aprendi, cresci, amadureci. Foi bom pra mim e guardarei pra sempre este sentimento. Espero que você também tenha tirado boas lições de tudo aquilo. Te amei. Muito obrigado por isso.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
AA
No começo, confesso que entrei por diversão. Tava ali de bobeira, fazendo nada e fui apresentado a ela por alguns amigos. Gostei de cara. E passei a querê-la diariamente. E ela estava sempre por perto quando a procurava, então não tive dificuldade nenhuma em me viciar mais.
E a onda foi crescendo. No começo eram festas no final de semana, contatos rápidos, mas ela estava com meus amigos sempre. Aí passou a ser festa todo dia e, desde então, ela estava comigo e não mais com os outros. Eu a tinha pra mim. Só pra mim. De manha, de tarde, de noite. Eu não conseguia mais ficar sem ela.
Gastei dinheiro, me meti em encrencas, briguei por ela e com ela. Me diverti muito, passei pelas mais maravilhosas sensações, fiz viagens eternas e inesquecíveis. Ganhei novos amigos, me afastei de outros. Conheci uma nova família, um novo caminho.
Depois de tudo isso, cheguei aqui. E hoje digo feliz que o meu vício continua comigo. E continua a me proporcionar as melhores coisas da vida.
Meu nome é Pedro Saldres, tenho 27 anos e estou há 2 anos e 10 meses apaixonado pela minha mulher.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Primeiro e Melhor
Você vestida naquele meu moleton cinza-surrado, cabelos completamente desgrenhados, parada no meio da cozinha lá de casa lendo a receita de bolo de cenoura da minha avó. “Queria te preparar um café legal, mas não sei onde encontrar os ingredientes”, você me disse quando percebeu que eu te observava. Depois me beijou. Teu beijo, àquela hora da manhã, era doce como a calda de chocolate que depois fizemos para o bolo.
Foi a primeira vez que você dormiu comigo e acho que por isso nunca esquecerei. Podia ter na memória outros detalhes daquele dia. O jantar que te preparei na noite anterior, o vinho que bebemos, as músicas que dançamos, mas sei lá... acho que aquele momento foi marcante. A intimidade de te ver como parte integrante da minha casa – mesmo que perdida entre os armários – me fez sentir que era você mesma. Tua completa falta de vaidade em me deixar te ver daquele jeito, maquiagem borrada, descabelada me fez sentir que você era minha.
Tua preocupação em me agradar com o bolo de cenoura quentinho logo cedo me cativou ainda mais. A tua cara de “não sei bater massa de bolo” foi que me mostrou o quanto você precisava de mim. E eu de você. Mas foi nosso diálogo após o primeiro pedaço de bolo que me fez ter certeza de que não podia te deixar mais sair da minha vida. “Foi o melhor bolo de cenoura que já fiz”, você disse. “E quantos você já fez?”, perguntei. “É o primeiro. Logo... hahaha!”
Ah, bom humor logo cedo. Como não te amar? Como não querer ter mais despertares como esse? E por isso te digo: aquele também foi o primeiro dia em que você acordou aqui. E sem dúvida, foi o melhor. Mas eu quero mais.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Amor e morte
Você ainda não percebeu que sou eu quem deixo água geladinha na sua mesa. Sou eu quem levo o café quente na caneca. Os biscoitos, também sou eu quem levo e faço, diariamente, em casa pensando no seu sorriso ao comê-los. E na sua expectativa por tentar descobrir quem é seu admirador secreto. Tal qual uma colegial querendo saber quem enviou o correio elegante na festa junina.
Aliás, só você ainda não se tocou de que não é coincidência que subimos juntos, diariamente, no elevador. E muito menos que eu passo os oito andares prendendo a respiração com medo de estar com bafo. Mas é tão bom estar ali ao seu lado. Nem sei o que faria se um dia ficássemos só nós dois lá dentro. Provavelmente teria um ataque de pânico.
Você também ainda não se deu conta de que nas aulas de ginástica laboral eu sou o único que não forma par com você. Medo de te quebrar em algum daqueles movimentos. De perder o controle ao massagear seu pescoço. Medo de sentir sua pele e surtar de vez, sabe?
Uma pena você não ter percebido nada disso até hoje. Uma pena você não descobrir e não me convidar para sentar à sua mesa. Fico triste. Aliás, de triste passei a ter raiva. Tenho me sentido muito enfurecido com isso. Sua falta de gratidão me machuca.
Mas ela não vai mais acontecer. Uma pena que hoje você vai comer meu último biscoito. Uma pena que você morrerá comendo. Espero que o sorriso pela surpresa ainda esteja em seu rosto quando te encontrarem morta. Eu amo o seu sorriso.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Sorte ou Azar
sexta-feira, 25 de março de 2011
Nossas manias
Não tomo mais sorvete de menta. Não peço mais café com leite vaporizado. Voltei a comer pizza com borda de catupiri. Agora começo a leitura do jornal pelo “caderno 2”, que é pra programar o cinema, o teatro, o show ou qualquer outra coisa que eu queira fazer mais tarde. Sem essa de ficar em casa vendo novela.
Deixei de beber vodca com schweppes citrus. Voltei a tomar minha cerveja estupidamente gelada. Voltei a fazer a barba diariamente em vez de manter aquele ar desleixado. Voltei a ouvir o Roberto Carlos e não mais aquele tumtumtum seco que você gosta. E, veja você, deixei de dormir com o celular ligado. Precisava conter meu desejo de te ligar.
Só não perdi aquela mania boba de te desejar. Ainda bem que não te atendi. Ainda bem que você bateu à minha porta. Ainda bem que te recebi.
Agora levanta que teu café com leite vaporizado está pronto. E o caderno de economia está debaixo da bandeja pra tu ler. Bom dia e até mais tarde. Prometo que te trago sorvete de menta pra sobremesa do jantar. Te amo.
sábado, 19 de março de 2011
Inacreditável
sábado, 12 de março de 2011
Antes de dormir
To falando daqueles minutos que antecedem o adormecer, quando ficamos ali, deitados lado a lado, conversando. Não é que o sexo seja ruim, pelo contrário. Você sabe que, pra mim, sexo é fundamental e não estaríamos juntos há tanto tempo se não fosse bom. Meu sono também é ótimo e você, mais do que ninguém pode atestar isso. E o silêncio, bom... o silêncio tem seus momentos de valor.
Mas é que te ouvir contar sobre seu dia, entrar no teu mundo, ouvir teus lamentos sobre o trabalho, tua preocupação com a saúde do teu pai e as bobagens das tuas amigas me faz bem. Me sinto mais integrado. Sabe aquela coisa matemática de primário, dos grupos, do que pertence e não pertence; está contido e não contido? Pois é, me sinto assim, feito menino no primário descobrindo o mundo. Contido nas tuas histórias, pertencente aos teus planos.
E é ali que eu também sinto você comigo, partilhando minhas dúvidas, meus medos, minhas idéias mirabolantes de fazer 300 coisas ao mesmo tempo. E em seguida caindo na real de que não farei nem duas. É ali que me pego fazendo planos para nós dois. Aquela viagem, o restaurante que ainda não conhecemos, o espumante que está na geladeira e ainda não tomamos.
Você bem sabe: o sexo, um dia, vai acabar. Não há azulzinha que aguente. Pelo menos não pelo tempo que quero estar ao seu lado. O sono vai rarear, ou você já viu velho que durma mais que 5 horas por noite? O silêncio vai permanecer tendo seu valor nas horas certas. Mas essa conversa, seus contos, suas preocupações. Essas tenho certeza que ainda persistirão a me embalar os sonhos.
sexta-feira, 4 de março de 2011
Na quarta-feira virei cinza
No sábado, segui teu ritmo. Teu gingado me levou à diferentes blocos. Teu passo me fez percorrer toda a avenida. Tua ginga me fez sambar de trás pra frente. E no fim da noite teu rebolado me levou ao prazer infinito. Eu já me sentia seu. E te sentia minha. Mesmo com o rei do pandeiro a te paquerar. Mesmo com a bateria parando pra você passar. Mesmo com o mestre-sala a te fazer reverências. Eu sabia que o vermelho dos teus lábios me pertenciam.
Veio o domingo e continuei na tua cadência. Meu coração já fazia feito tamborim toc toc tum toc tum toc tum no seu ritmo. E no meio do pagode você me puxou pro canto da quadra e me transformou em reco-reco, em cuíca gemendo alto. O preto da tua pele me extasiava.
Na segunda e na terça, a gorda terça-feira de carnaval, me senti feito Rei Momo. Satisfeito com teus beijos e carícias. Mas querendo provar mais do doce que você me dava. Seria o Rei Momo mais obeso e estenderia meu reinado por infinitos carnavais pra poder comer do seu prato. Beber do teu gole. Me colorir com todas os brilhos da tua purpurina, com todas as cores dos teus paetês.
Na quarta-feira teu bloco não saiu. No meio da rua vazia, no meio da ressaca contida, entre restos de latas e cheiro de urina não ouvi teu apito a comandar a batucada do meu peito. Na quarta-feira eu virei cinza sem você.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Mais um tchau
Sabe, eu fico triste mesmo. Nem é por você ter ido. Isso aconteceria uma hora ou outra. Afinal, quem acredita em “viveram felizes para sempre”, além das crianças que dormem ao som da leitura de uma Cinderela ou Rapunzel? Só naqueles embalados sonhos o para sempre é real. Depois que crescem, vivem a realidade. Aliás, não era Cinderela sua história favorita quando pequena?
Eu fico triste é por mim. Por não perceber que estou numa eterna volta: conquista, namoro, erros e o fim. Triste por não me dar conta que meus erros não feriram só você, mas também a Marisa, a Fernanda, a Tatiana, a Maria Clara... e por não ver que o problema não foi você, nem elas. O problema sou eu.
Muitos usam desse papo de “não é você, sou eu” para terminar um relacionamento. Só que comigo é sempre o contrário. Foi você (e todas as outras) que me disse, ou deixou a entender que o problema não era você, mas eu.
Eu fico triste por não ver que eu sempre caminho para o mesmo buraco. Para a mesma vidinha simples e sem aventuras, para a mesma rotina medíocre que acredito ser o suprassumo da existência humana.
Psicologia, psiquiatria, hipnose, acupuntura, terapia holística, exercícios físicos, menos álcool, voto de solidão. Sei lá o que pode me fazer mudar. Qual a sua sugestão? Quer dizer, você nem tem que me dar nenhuma sugestão. A essa altura já deve estar bem longe. De volta àquele apartamento que você dividia com as amigas. Me deixe mesmo aqui. É melhor pra você.
Quanto a mim? Bom, o ciclo recomeça. Vejamos quanto tempo dura o próximo. Bom que estes escritos já ficam aqui, à mão para o próximo cartão de despedida.
Boa sorte pra você. Espero que goste das flores.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Fórmula Dove
terça-feira, 8 de junho de 2010
Faxina Geral
To falando do pano, do linho do lenço Presidente que você me comprou para eu usar no casamento daquela sua amiga. Eu achei brega. Lembra que você bebeu além da conta, vomitou e acabou usando meu lenço para se limpar? Pelo menos a breguice teve bom uso. E foi pro lixo. Mas no dia seguinte você fez questão de me dizer que tinha comprado uma caixinha. Ainda sobravam dois. Ficaram guardados na gaveta das cuecas.
To falando do álcool que se bebe, da cana ardente da cachaça ruim que você comprou para fazer quentão em fevereiro, já que você estava com desejo. Onde já se viu desejo de não grávida? Mas você disse que não tava encontrando gengibre. Sem gengibre não tinha graça. Tomou a garrafa do malbec argentino - que eu guardava pra uma ocasião especial - com sua amiga que três meses após o casamento pegou o marido com uma sirigaita no clube. Esqueceu do quentão e a garrafa ficou lá no canto do armário, tomando poeira.
Pois é esse mesmo lenço brega e essa mesma garrafa de cachaça ruim que fazem minha faxina hoje. O linho que eu esfrego no meu rosto, secando as lágrimas, arrancando essa pele velha e desgastada. A aguardente que desce rasgando a garganta, queima o esôfago, faz eco no estômago e estremece o fígado.
Mas eu to me limpando de você. Me desinfetando do seu cheiro que ainda ficou no lençol. Arrancando todos os micróbios da sua boca que ainda possam estar espalhados pelos copos, pela caneca de cappucino, e até na taça de vinho. Me desfazendo das suas lembranças, das suas manias, dos seus pedidos. É faxina geral, livre de você.
terça-feira, 27 de abril de 2010
Teoria da Relatividade
O meu amor por você, por exemplo, não é relativo. Mesmo tendo na etimologia da palavra relativo o significado de relação, o termo tornou-se algo como “pode ser que sim, pode ser que não”. E é aí que falo que não. Não há nenhuma relatividade na excitação dos nossos corpos ao se encontrarem, no suor de nossas mãos, segurando umas as outras, sabendo que ali haverá sempre um porto seguro, não há relatividade nos seus olhos que me encaram e me dão a certeza de um futuro.
Não há “pode ser que sim, pode ser que não” nos nossos planos, nossas viagens, nossos desenhos, nossas provas e marcas de amor. Não há relativismo nas tuas mãos percorrendo meu corpo, muito menos na tua boca dizendo um baixinho e suave “eu te amo” na minha orelha.
Pois então, te digo que nosso amor, não. Ele não é relativo. Não cabe qualquer hipótese relativista, pois no nosso amor só há concretismo, só há realismo, só há futurismo.
sexta-feira, 19 de março de 2010
É impossível ser feliz sozinho?
Mas sexta é dia de balada. Dia de pegação. Ficar em casa e ver TV estava fora dos planos. Nem uma das garotas da lista se dispôs à ir a casa dele. E não rolou nenhum convite a ir à casa de ninguém. A fome bateu. Nem o hot dog da barraquinha na praia ia rola hoje. E agora?
Agora que ele se deu conta de que podia ficar sozinho. Podia cozinhar pra ele mesmo e beber aquele vinho guardado pra um momento especial com a ex-namorada que nunca chegou e agora não ia mais chegar.
Colocou uma música no som, foi pra cozinha ver o que tinha na geladeira. Massa era uma boa pedida para acompanhar o vinho. Mas não tinha. “E daí? Vou comer o que eu tiver vontade.” E um mexido de ovo, arroz, feijão, cenoura e queijo nunca harmonizou tão bem com um malbec argentino.
Som rolando, comida na mesa, vinho na taça. Ele até dançou sozinho. E relembrou que é, sim, - desculpa Tom Jobim - possível ser feliz sozinho. Nem que seja só por alguns instantes. Afinal, amanhã é sábado e tem mais balada à vista.
segunda-feira, 8 de março de 2010
Quando dois se bastam
Foi o que me disse a vizinha assim que abri a porta. Era domingo e nós terminávamos um almoço tardio – como sempre são os almoços de domingo – regado a muito vinho e um delicioso risoto de funghi preparado pela Clarinha.
Não sei se foi o vinho, mas não me recordo de estarmos rindo tanto assim, a ponto de incomodar a vizinha. Aliás, desde quando alegria incomoda alguém?
- Como?
Foi a única reação que tive.
- Eu quero saber, Sr. Tiago, a razão de toda essa euforia, toda essa alegria, todas essas gargalhadas. Por quê? O que traz a vocês dois tanta felicidade? Vocês são sozinhos! Não tem amigos, não tem filhos, não tem família. Estão aí, só os dois, e parecem que estão na maior festa do mundo. Dá para explicar? Nem um cachorro vocês têm!
Eu e Clara havíamos nos mudado a pouco tempo para aquela casa. Assim que nos estabelecemos, a vizinha – Neide é o nome dela – veio bater à nossa porta. Trouxe um cartão de boas-vindas feito pelos seus dois filhos. Os meninos deviam ter entre 5, o mais novo, e 10 anos, o mais velho. Eles desenharam em uma folha de papel um casal, que presumi sermos nós, e uma família com pai, mãe e dois pequenos meninos de cabelos arrepiados, que imaginei como sendo eles. No alto da folha, em letras de forma estava escrito: BEM VINDOS
Ela foi simpática e disse que estaria à disposição para tudo que precisássemos. Perguntou sobre nossos filhos – os quais ainda não estamos pensando em ter –, convidou Clara a conhecer o grupo de ginástica do bairro, indicou uma diarista para ajudar com os serviços domésticos. E prometeu um filhote de Pastor Alemão da próxima ninhada de seu casal de cães. São premiados os bichinhos.
Mas o que mais me assustou foi a relação que ela criou entre sermos sozinhos X sermos felizes.
- Como assim, sozinhos?
Foi tudo o que consegui retrucar. A essa altura, o gênio cricri da Clara já estava atrás de mim na porta, bufando e querendo saber o que estava acontecendo.
Tá certo que a casa era muito grande para só nós dois. Mas isso não tem nada a ver com nossa família e amigos. A mãe da Clara – sogras! – passava sempre por lá. Minha mãe – sogras, de novo! – não deixava passar uma semana sequer sem dar o ar de sua graça. Meus irmãos e uma amiga-irmã da Clara – ela não tem irmãos de sangue – já dormiram várias vezes no quarto de hóspedes. E nossos amigos também sempre aparecem para um jantar, ou almoço, ou só mesmo pra jogar conversa fora. Não tinha essa de sozinhos.
- Sozinhos! S-O-Z-I-N-H-O-S. Sem ninguém para fazer companhia. Sem crianças correndo e gritando para preencher o vazio dessa casa. Sem um cachorro para fazer guarda. Sem uma empregada para varrer e lavar suas roupas. Sós. Vocês não são uma família normal. E ainda assim estão aí nessa algazarra, rindo, ouvindo música, cozinhando e bebendo vinho. Como vocês fazem isso sem ter alguém pra partilhar?
- Acho que a gente se basta, dona Neide. É só isso. Um faz companhia pro outro e não precisamos de muito mais que isso. Crianças serão benvindas, quando for o momento certo. Cães serão ótimas companhias, quando quisermos ter outra companhia. E nossas famílias, bem... nossas famílias estão sempre por aqui. Mas acho que a resposta mais direta para a senhora é só mesmo essa: a gente se basta, se completa e assim tá muito bom. Não precisamos de uma vida tão cheia e tão completa. Pelo menos não no sentido que a senhora diz. Não com essas coisas que a senhora considera importantes.
Ela murchou e começou a chorar. Chorava como há muito tempo não via ninguém chorando. Soluços doloridos, um choro raivoso. Clarinha ofereceu sua taça de vinho. Ela recusou, virou as costas e saiu andando. Um pouco mais à frente virou-se, balançou a cabeça e pediu desculpas.
Uma semana depois, também já no fim de um almoço – com amigos, registre-se – veio nova batida na porta.
- Boa tarde. Vim buscar a mudança da dona Neide.
- Dona Neide? É a casa amarela. Aquela ali do outro lado da rua.
- Desculpa! A dona ligou tão aperreada que nem anotei o endereço direito. Pensei que fosse casa 12.
- Tudo bem.
- Boa tarde pro senhor. Muito obrigado.
- Por nada. Bom trabalho pra você.
Neide tinha descoberto que o marido a traía. Viu ruir toda a estrutura de boa família que ela vinha construindo. E surtou. Parece que agora está morando lá do outro lado da cidade e se consultando com um psicólogo para poder entender que é possível ser feliz sozinha. Ou com alguém que se ama.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Com o tempo passa
No mês que se sucedeu – trinta dias cobertos de indagações como “será que eu volto atrás?”, “será que ele ainda me quer?”, “será que se eu enfiar o dedo na tomada morro eletrocutada?” – ela ainda tentou acreditar naquilo. Pensou que seria questão de dias para esquecer tudo.
“Peço tanto a Deus para lhe esquecer, mas só de pedir me lembro...”, continuava a cantarolar o rádio. E o tempo passou e o sentimento permaneceu. Batia ali aquela dúvida, aquele medo, o receio de quem fica só. Soprava em seu ouvido a melodia da tristeza, o uivo do lobo solitário. Ressoava em seu peito o eco do isolamento.
Dois meses, três. Algumas tentativas de recomeçar de outro jeito. Viagens para esquecer, tentativas de novos affairs, novos amigos, nova vida. Mas tudo voltava a ele. “Sinto que você é ligado a mim. Sempre que estou indo, volto atrás. Estou entregue a ponto de estar sempre só esperando um sim ou nunca mais...”.
Mas ali, em meio ao trânsito e às lágrimas, ela percebeu que não, não passaria com o tempo. Que não sumiria o desejo, o respeito, a parceria e muito menos o seu sentimento. O seu amor. De supetão entrou no primeiro retorno e tomou o caminho que há muito não fazia. O caminho dele. Ela precisava voltar. “É tanta graça lá fora passa o tempo sem você. Mas pode sim, ser sim amado e tudo acontecer. Quero dançar com você. Dançar com você. Quero dançar com você.Dançar com você êêêê”.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Cíclico
Ela não sabia quando, nem como, nem por que, mas sabia que algo estava diferente. E era o sentimento. Aquilo que ela já não sentia mais. Algo que ela precisava voltar a sentir e, com certeza, não era mais com ele.
Ela sabia que precisava dizer tchau. Só que também não sabia como, nem quando. Sabia por que. E acabou por fazer da forma mais simples e direta: “Não te amo mais. Pra mim já acabou.”
O peito doeu. Os olhos choraram. A cabeça girou. O sentimento de perda foi inevitável. E a cada lembrança o coração palpitou. Mas depois de um tempo a leveza voltou a tomar conta dela. Aquela leveza de quem anda nas nuvens, de quem canta sozinho, de quem ri de tudo.
Não sabia como, não sabia quando, não sabia por que. Mas sabia que era uma nova paixão.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
CLIPPING
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Arco-Íris dos relacionamentos
segunda-feira, 27 de julho de 2009
porra! tô puto!
ao som do do cavaco ficou interessante. gosto dessa música há pelo menos uns quatro anos. achei estranho, inadequado (os chicleteiros que me perdoem) para aquele momento, mas... "beleza, é festa, uuh!!". Ele prosseguiu na "pregação": "Deus te trouxe aqui/ Para aliviar os seus sofrimentos ô ô ô". eu até cantava junto. chegou o refrão, cantei de novo (é a parte mais bonita da música).
mas o foda começa agora: o bicho esqueceu o resto da letra e começou a solfejar e inventar uns trechos lá: "fulano de tal, me traz um cervejaaaaa ô ô ô". ah! não.. perai! ai eu fiquei puto. pô, tudo bem que o cara toque uma música religiosa num antro de cachaça, pagode e, acidentalmente, onde a putaria comportamental pode rolar solta (leia-se pegação). mas zombar da palavra de Deus já é sacanagem.
explico. não sou um exemplo de conduta. mas costumo ir a igreja quando posso. não sei explicar por que. mas gosto de estar lá. essa música é um símbolo. mas, bonita e triste, teve a infelicidade de ser alçada pela galera do chiclete com banana (acho que foram os caras que gravaram). ai, banalizaram a coitada e reverteram totalmente a função social que ela se propunha.
no meu carnaval, por exemplo, fui comprar uma cerveja numa conveniência e lá tinha um carro parado, com a mala aberta, escutando essa música. ao redor dele, um monte de bêbados, cantando e dançando. o motorista dava tavas na bunda da namorada enquanto entoava "ô ô ô". minha silenciosa indignação começou ai.
e ela se traduz num lado quase-religioso-social e noutro pessoal. mais uma vez, explico: a primeira vez que escutei essa música ao som do violão, eu acompanha o cortejo que levava o corpo da jovem maria clara (cês lembram dela) até o local onde seria enterrado. naquele momento, mesmo lá como repórter, não tive como não me comover, sobretudo, com essa parte: "e ainda se vier noites traiçoeiras/ se a cruz pesada for/ cristo estará contigo/ e o mundo pode até fazer você chorar/ mas Deus lhe quer sorrindo".
por isso adquiri um carinho especial por ela. de lá pra cá, a escuto sempre com muito respeito. ai vem o chiclete com banana (demolidor que me perdoe) e esculhamba com tudo. agora, a música virou um hit para animar as cachaçadas. repito: não sou um poço de religiosidade, muito menos sei interpretar a palavra de Deus como se deve, como meu amigo dieguito amorim. mas acho um desrespeito. e tô puto!
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Tudo azul
Foi quando, num belo dia, a noite, que já era escura, ficou confusa. E ela pegou-se olhando uma blusa azul, no meio de uma festa toda vermelha e preta. Baile de tradição. Coisa de gente que gosta das mesmas coisas e das mesma gente. Não era bem o caso dela. O que será aquele ponto azul no meio daqueles espantalhos? Não sabia. Aproximou-se. Não devia. O azul sumiu. Ela ficou sem saber aonde ia.
Esperou e nada! Resolveu embrenhar-se por pensamentos vermelhos ou pretos. Era bem mais fácil se dar bem. Parou, bebeu, sorriu, dançou, sentou e... sentiu um braço forte por trás a abraçá-la. Beijaram sua nuca. Ela avistou o braço, a camisa azul. Sorriu, cerrou os olhos, passou o queixo naquela pele delicada, mas forte. Entregou-se, de olhos fechados. Sentiu uma força a virar-lhe o rosto. Entregou-se mais ainda. Sentiu lábios. Primeiro no rosto, depois na boca. Beijou. Beijo demorado. Isso é coisa de homem apaixonado, imaginou.
Olhos ainda fechados, estendeu o beijo a um abraço. Resolveu acordar. Viu, apertou os olhos. Pra que? Não era o que imaginava. Aquilo era uma mulher. Não tinha nada com nada. Asfastou-se. Recebeu um sorriso malandro de uma mulher sem muito a perder. Viu o azul desaparecer. Estava chocada, revoltada, evergonhada. Mas encantada. Nunca receberá um abraço daqueles. Bebeu pra esquecer. Dormiu e acordou. Tudo estava azul.
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Não deu valor
E agora, o que eu vou fazer?
Doía como costumam doer as grandes decepções, mas aquela tinha algo de diferente. Porque ela é quem havia se decepcionado. Ela tinha jogado contra ela própria, achando que o teria no momento em que quisesse. “É um guri bobo. É só chamar que vem correndo”, pensava. E assim fez por várias vezes. Chamado atendido, ela recebia o afago que queria, divertia-se com o rabo abanando do seu cachorrinho e depois o botava para dormir do lado de fora. E a música ainda trepidava as caixas de som do seu veículo.
E agora como posso te esquecer?
Doía como costumam doer os choros silenciosos, mas aquele tinha algo diferente. Porque o silêncio de suas lágrimas era rompido por um leve soluçar e pelo eco de seu próprio pensamento que gritava “Burra! Burra! Burra!” a cada lembrança de um bom momento vivido ao lado dele. Momentos que não se repetiriam mais. Porque agora ele havia achado um lar. Alguém que o queria de verdade. Alguém que não o via como um brinquedo para horas de monotonia.
Espero que o tempo passe
Doía como costumam doer as despedidas inesperadas, mas aquela tinha algo diferente. Porque ela poderia tê-la evitado, mas não o fez. E agora sabia que não o veria de novo, mesmo após acabar a semana. E no carro, foi-se embora. Sem saber como não percebeu que ali estaria sua alegria, que ali poderia repousar seu futuro.
E agora como posso te perder?
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Ficou pra trás
Ontem, por exemplo, te vi entrando naquele café e pedindo o mesmo chocolate quente acompanhado de biscoitos. Outro dia te vi na porta da banca de jornais, com o dedo a enrolar o cabelo – o maior indício de sua dúvida – analisando duas capas de revistas daquelas que prometem dar dicas de como enlouquecer o homem na cama, ou alguma dieta mágica que te faça perder 10 quilos em dois dias.
Sei também das festas que você vai. Sei dos porres que toma. Das surras que leva da vida e até das alegrias que tem tido. Teu gato novo, aquele angorá, é bem bonito, por sinal.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Obrigado
- O que? Como assim?
- É. Obrigado por te esquecer. Foi melhor assim mesmo.
- Que mesmo? Que assim?
- Obrigado por não pegar na minha mão quando precisei, por calar quando queria te ouvir, por dançar quando te queria ao meu lado e por parar quando eu queria dançar. Obrigado por fugir, por só ficar, por não estar. Obrigado por nunca me agradecer, nem sorrir e me chamar para sair. Valeu mesmo por me atender e me despistar com aquela desculpa sorridente. Obrigado por me levar a sério só quando lhe foi conveniente. Por gostar de mim apenas nas tuas noites vazias e saber fazer só o que pra mim você não devia. Obrigado por ser assim. Agradeço-te pela falta de carinho, de consideração. Ter-te é um espinho. Obrigado por não teres flores na mão. Com você, aprendi qual o meu caminho. Falta agora ensinar a meu coração.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Parceria
Mesmo em silêncio era possível notar a cumplicidade entre eles. Sentados, um ao lado do outro, trocando carinhos. O papo devia variar entre o clima, a vida, as notícias do jornal que ele carregava debaixo do braço. Enfim, aquilo não interessava. O importante para os dois era estar lado a lado.
Vez ou outra levantavam-se do banco e davam um passeio. Esticar as pernas era importante para os dois. Não estavam mais em idade de muitas aventuras e uma breve volta pelos arredores já devia cansá-los. Por isso a brevidade das caminhadas
Mesmo com todo esse ambiente de alegria e cumplicidade, ao vê-los, meu maior pensamento era sobre a morte. Sobre qual dos dois ela visitaria primeiro. Qual dos dois ficaria sozinho. Qual deles tentaria levantar e sentar no velho banco sem a companhia do companheiro.
Cumplicidade, amizade, parceria, companheirismo, amor. Tudo isso faz parte de um relacionamento. Ainda que seja como a dos dois. A bela relaçãao entre um velho homem e um velho cachorro.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Argolas
Ele as encontrou uns dois dias depois que ela foi embora. Estavam debaixo da cama, caprichosamente caídas, como se tivessem sido postas ali por alguém. Uma ao lado da outra. Ela gostava tanto daqueles brincos que ele não podia imaginar como ela os tinha esquecido ali, justamente naquele dia em que fizeram amor pela última vez. Feito meio que como uma despedida, ou uma forma de reconciliação. Ele não sabia ao certo. Tudo agora era incerteza entre eles.
Mas ele sabia que ela não iria embora sem suas argolas. Se elas ficaram ali, tão bem posicionadas é porque queriam dizer algo. Às vezes, ela mesma poderia tê-las deixado ali como um sinal de que voltaria para buscar seus tão queridos brincos. Talvez, pudesse ser apenas um presente de recordação para ele. E o seu “fio de cabelo no paletó”, naquele momento, era sua única esperança em revê-la.
Um par de argolas prateadas. Tão bonitas em suas orelhas, que tantos beijos deu. Ele só esperava que ela quisesse usá-los de novo. E que não os encontrando, lembrasse de onde estavam e fossem ao seu – dele e não dos brincos – encontro.
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Banho de dor
E não foi diferente no dia em que ela ligou dizendo que não dava mais. Sentado em seu computador, ele atendeu ao telefone já prevendo que aquela não seria apenas uma ligação cordial. As palavras até que não foram fortes, mas só a idéia de tê-la perdido fora suficiente para que as primeiras lágrimas lhe rolassem pela face sem nem esperar pelo chuveiro.
Depois do tchau – um adeus tão triste que parecia ter uma mão em seu peito apertando seu coração com toda a força possível –, encaminhou-se direto para o banheiro. Era uma reação instantânea, não premeditada. Acontecia naturalmente, como acordar, esfregar os olhos e espreguiçar-se.
Estava, então, no banheiro. Agachado, a água caía do chuveiro e a enxurrada de lágrimas escorria pelos olhos. Era possível que ele desligasse o chuveiro e, ainda assim, parecesse que este permanecia ligado, tamanha a intensidade do choro. Já sentado, sem vergonha por aquela situação, deixou que o fungar de seu nariz e a respiração ofegante de quem chora fossem ouvidos por todos.
De que importava agora ser forte, não mostrar aos outros que de seus olhos também escorriam lágrimas? Ele queria mesmo era chorar, expelir cada gota daquela água salgada que lhe mareava a vista.
Vista que, talvez, não fosse mais vista. Porque não sabia se seus olhos, depois de tantas lágrimas, conseguiriam encarar os dela novamente. Mas sem dúvida, chorariam de saudades suas a cada banho.
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Ho Ho Ho
Sabe aquela sensação de alegria, bem-estar, satisfação e tantos outros bons sentimentos que nos acometem lá para dezembro e que as pessoas costumam chamar de “espírito natalino”? Pois é. Era assim que ele se sentia com ela. Como se qualquer dia, qualquer mês fosse Natal.
A alegria era intensa, como a de uma criança que ao acordar na manhã do dia 25 de dezembro descobre o tão sonhado presente debaixo da cama. Estar com ela, sentir seu abraço, seus beijos era como rasgar o papel de presente do embrulho e ver a embalagem do carrinho de controle remoto.
E era mesmo assim, como uma criança, que ele se sentia ao lado dela. A alegre criança que pela primeira vez senta no colo do Papai Noel, ganha uma bala e revela o presente esperado pelo bom comportamento durante o ano.
Natal todo dia. Um presente em forma de amor.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Passado x Futuro
- Ah, mãe! Como que você me viu se estava de costas?
- Eu tenho olhos na nuca, Duda. Olhos na nuca.
Ainda que tivesse - como tinha sua mãe - olhos na nuca, os de Eduardo permaneceriam para sempre fechados. Para que olhos na nuca se tudo o que eles veriam seria o que foi deixado para trás?
Eduardo não queria se preocupar com nada do que era passado. A única coisa boa que tinha dos tempos idos era sua mãe. Essa, infelizmente, também já tinha ido e lembrar de momentos com ela eram sempre dolorosos. Por isso, Eduardo não queria que sua nuca tivesse olhos. Muito menos olhos abertos.
Olhos que veriam a dor da morte da mãe. A tristeza de uma adolescência solitária em um orfanato. As loucuras de anos em meio às drogas. As lágrimas pelo primeiro amor que nunca lhe deu atenção e, mais recentemente, o último que lhe deixou com o coração em pedaços.
Olhos na nuca não poderiam ajudá-lo a buscar a felicidade pela qual ele sempre esperou. Olhos na nuca não poderiam fazê-lo enxergar o caminho do sucesso que ele almejava. Olhos na nuca seriam sempre a vitrine do passado, do fracasso e da decepção.
Olhos na nuca sempre fechados. Aberto, apenas seu peito pronto para enfrentar os desafios da nova vida. Olhos para o futuro são os do rosto, que enxergam à frente. Atrás, só virando o pescoço e isso Eduardo não pretendia fazer.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
O 1% que mantêm um par equilibrado
Outro dia ouvi falar de uma célebre e interessantíssima frase de um tio de consideração muito querido por mim e por minha família. Ele travou um animado e breve diálogo com um de nossos amigos, durante uma festa e sua casa. Foi assim:
- Você gosta dela - perguntou ele ao rapaz, sentado ao lado da namorada.
- Gosto, tio.
- Mas você gosta muito dela? - insistiu.
- Gosto. Gosto muito - afirmou o jovem, curioso com a pergunta.
A resposta que se seguiu é um ensinamento que só pode passar quem está há três décadas casado como se fosse há três dias.
- Pois, meu filho, não goste cem por cento não. Goste noventa e nove por cento. Mas cem por cento, não.
Gargalhada geral, claro. A frase é de fato engraçada. Mas muito proveitosa para uma reflexão.
Se fosse eu o autor dela, não teria peso algum. Mas um homem com a experiência, equilíbrio e respeito dele autentica um novo sentido. Um exemplo de vida.
Passei semanas pensando nessa frase. Comentei com amigos para ver se a impressão que eles têm ao escutá-la é a mesma da minha. Percebi que sim. Mas a tese sobre ela ganhou novas impressões, portanto.
Quando ouvi o comentário pensei logo que esse 1% que falta para completar o amor incondicional é o amor próprio. E aquilo que reservamos para nós, que nos mantém equilibrados.
2 - Numa visão menos experiente de uma relação, acho que esse 1% é a saudável insegurança que um relacionamento merece para manter duas pessoas conectadas. É como se esse ponto percentual fosse a descoberta que ainda falta, que incita curiosidade e move a engrenagem de um namoro ou casamento por muitos anos.
Ou seja, esse um ponto é o equilíbrio. Há quem goste de ser muito amado. Mas ser amado incondicionalmente não tem graça. Precisamos, no mínimo, de momentos de insegurança. Sentir, as vezes, que nada é o que parece.
Mas só quem já tem muitos anos de estrada consegue amar plenamente e deixar o 1% agir sem ser percebido, sem causar transtorno. Nós, jovens, quando nos relacionamos, proporcionamos insegurança demais ou insegurança de menos. Portanto, erramos na dose.
Isto é: amar 99% é pra poucos. Poucos e raros como meu querido tio. Aliás, não perguntei a ele, o dono da reflexão, qual o real significado dela. Talvez um dia pergunte. E ai vou contar pra vocês...
domingo, 23 de março de 2008
Ela
Mesmo tanto tempo depois ele ainda tinha, claro como um raio de sol, a lembrança de seu cheiro. Do perfume, do xampu, do hálito, do sono. Cada qual com seus tons diferentes, mas sempre doces.
Mesmo tão distante ele ainda tinha o tom de sua voz nos ouvidos. Nas broncas, nas brigas, nas palavras doces, nos gemidos, ao telefone, ao pé do ouvido e, principalmente, nas risadas. Cada qual com seu timbre que deixavam claro suas intenções.
Mesmo depois dos anos idos, ele ainda tinha seus gestos. O toque na mão, o abraço, o arrumar o cabelo, a forma de tirar a roupa e depois colocar de novo. Cada qual com sua velocidade. Cada um com seu desejo.
Mesmo depois de passados os dias ele ainda lembrava de tudo aquilo e sabia que jamais esqueceria. Seriam aqueles - corpo, cheiro, voz, gestos - os modelos para sua vida. Seria ela a sua eterna musa. Seria aquela menina seu eterno querer.
quinta-feira, 6 de março de 2008
- Tá difícil de agüentar...
- O quê?
- Ficar assim por muito tempo. É duro, sabe? Distância, saudade... Esses telefonemas sempre duram menos do que devem. Sempre que desligo fico mais assim... triste e feliz, sorrindo e chorando.
- Eu também. Mas é assim, meu amor. Não deve durar muito. Nessas horas, imagina que eu viajei, ficarei fora durante algum tempo. O tempo necessário pra comprovar que tudo isso é pra valer. No final tudo vai dar certo.
- Mas será que é pra valer mesmo?
- Não sei se é pra valer. Ninguém nunca vai saber. Nem quando a gente estiver realmente junto. Mas, agora, é isso que eu sinto. Amo com profundidade. Amo tanto que tudo fica pequeno. Amo tanto que a tristeza da distância é bem menor que isso tudo. Sinto que vivo pra um dia isso dar certo.
- Eu também. Te amo muito e sempre. Vou sempre esperar isso acontecer. Estou aqui rezando pra que esse amor aumente. Depois de você, minha vida tornou-se nova. Tudo que eu tinha antes ficou velho. É como se nada do que passou serviu, entende? Queria ter o passado de novo pra ter você logo e certo. Porque eu...
- Só um minuto, linda. Tenho que desligar. Ligo de volta em um minuto. Te amo.
....
- Oi! Voltei.
- Pois é. Porque eu não gosto da vida que levo. Não gosto de ter você só assim, de vez em quando. Não gosto de querer te ver sem ter ou te ver sem te tocar. É muito ruim. Meu amor não permite tanta renúncia. Nunca fui acostumada a isso. Às vezes me sinto envergonhada. Vivo um amor que é, na prática, sem sentido. Nosso mundo é nosso. Isso é bom. Mas queria expandi-lo.
- Eu sei como é. Por vezes sinto isso também. Mas sei que é tudo uma questão de tempo. Tudo só precisa dar certo por algum tempo. Depois, as coisas mudarão pra melhor. Te prometo. Sempre pra melhor. Nada disso aqui ocorre por acaso. Nunca merecemos isso. Mas acontece. Quero apenas pensar que agora é o melhor momento. Você é o melhor momento.
- Que bom. É bom saber que a gente continua forte. É difícil não imaginar que isso pode acabar por quase nada. Mas já estamos assim há algum tempo. E acho que falta pouco. Vou esperar. Não quero outra coisa na vida, senão que isso aconteça.
- E vai acontecer. Pode ter certeza. Eu farei tudo como a gente combinou. Te amo muito. Você é ideal. E isso não é paixão. É amor. Não é distância que me deixa assim. Fico porque amo. Nem sei o que é isso direito, mas é a definição mais próxima pra traduzir a dimensão do que sinto.
-Ai. Não fala assim! Já fico morrendo de saudade. Quando vou poder te encontrar de novo, hein?
- Meu amor, ela chegou. Tenho que desligar. Amanhã a gente combina direitinho. Não pode demorar muito. Te amo sempre. Pensa em mim.
- Tá. Também. Beijos...
- Beijos
segunda-feira, 3 de março de 2008
Fogo
Toda a sala tinha o olhar preso naqueles cabelos, menos ele. Ele percorria todo o rosto. Os traços finos do nariz, a boca que desfazia a “sem-graceza” e voltava a sua forma perfeita. Os olhos fortes, contornados de preto.
Sentada à frente dele, prendeu o cabelo em um coque e deixou a nuca à mostra. A pele clara era convidativa a um beijo. As pequenas orelhas recheadas de brincos mostravam um pouco de sua rebeldia e vaidade.
O cheiro de xampu exalava de seu cabelo e o embriagou completamente quando ela puxou a lapiseira que prendia o coque e deixou o cabelo cair novamente sobre os ombros. Pareciam fagulhas de uma fogueira.
A paixão súbita. Aquele era o mal dele. Apaixonava-se de repente e pelas menores coisas. Dessa maneira, em um mesmo dia era capar de apaixonar-se inúmeras vezes. E aquela paixão era, sem dúvida, a mais intensa que acontecera naquele dia. Forte, avassaladora e quente.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
A Placa
A grande diferença era que aquilo não poderia ser considerado um amuleto. Muito menos da sorte. Afinal, sorte seria se ela encontrasse e não mais precisasse carregar aquela placa. Não que ela achasse ruim. Aquilo era como um estímulo a ela. Para não desistir enquanto não encontrasse.
Mas muita gente nem lia sua placa. Muitos sequer notavam que havia aquela placa ali. Mesmo grande, com letras garrafais e em cores berrantes, não era todo mundo que conseguia vê-la. Alguns percebiam que havia algo, mas não conseguiam dizer o quê. Outros sabiam que era uma placa, mas não davam conta de ler o que vinha escrito. Alguns, com muita dificuldade até liam, mas cansavam por demais a vista e desistiam.
Às vezes, ela até ajudava na leitura, mas via que estava esforçando-se em vão e deixava para lá. Mas a busca não terminava. Ela continuava empunhando sua placa com certeza de que um dia encontraria. Por que carregar uma placa, pesada e trabalhosa em seu pescoço? O que ela procurava?
O amor. Era ele que ela buscava. E era por ele que ela fazia aquele esforço. Até o dia em que deixará de carregar a placa e vai ser carregada por ele.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Todo carnaval tem seu fim
A pergunta
Oi, tudo bem? Como foi de carnaval? Comigo foi mais ou menos. Fiquei em casa mesmo, sem clima para festa. E olha que antes estava animado pra viajar. Achei que estivesse muito certo ao tomar aquela decisão. Me enganei. Desabei antes de começar a festa e me arrependi de tudo aquilo. Não devia ter acabado com você. Fui influenciado por meus amigos. Achei que me divertiria sem você. Me enganei. E pior: eles todos, os meus amigos, viajaram. Fiquei só. Pensando em você.
Sei que é muito egoísmo da minha parte fazer o que faço agora. Você sofreu, chorou e disse que não queria acabar. Ficou com raiva e mesmo assim não percebi que estava fazendo a coisa errada. Errei feio. Ainda te amo. Amo muito. E estou completamente arrependido de tudo que fiz e queria, na profundidade da minha vergonha, te pedir desculpa e se puder considerar meus erros e voltar pra mim. Pelo que te conheço, sei que não vai ser fácil. Mas, se ainda me quiser, estarei aqui, te esperando... Beijos. Te amo...
Três dias depois...
A resposta
Olha, posso imaginar o que você está sentindo. Eu acho até que já sabia que isso poderia acontecer. Sua decisão foi muito precipitada. Você estava visivelmente influenciado por seus amigos e por essa viagem de carnaval. Mas esqueceu que não pode fugir dos seus sentimentos. Eu sofri muito. Chorei dois dias, mas, ao contrário de você, tive muito apoio das minhas amigas. E viajei com elas. Me diverti muito. Vi suas ligações, mas não quis atender. Feliz ou infelizmente, pensei muito pouco em você.
Hoje, por mais rápido que pareça, não sofro tanto e cheguei a conclusão que não quero mais namorar. Sobretudo depois que senti tudo que você me causou. Senti-me chutada, descartável, trocada pelo carnaval e por seus amigos. Senti-me um nada. Eu gosto de você. Tenho um carinho imenso e lembro de cada momento bom que vivemos juntos. Mas não quero mais. Acho que poderemos ser bom amigos...
E é o fim. É fiiiiim!